sábado, abril 04, 2009

paciente 726

Senha 726, um chamado,
Corpo doendo e perna inchada.
O sistema nervoso de um gigante
Se titubeia e cala.
Se entope e vira veneno.
Uma trombose Venosa Profunda à procura.
Pega-me aqui, pega ali.
Me sinto pequeno e sozinho.
"Por favor, 726, sente-se nessa cadeira"
E assim vai descendo a procura da tromboflebite profunda.
Acha nela quase ela.
Uma cirurgia, uma rack, um sorriso da enfermeira.
A coagulação me compromete e me mete.
Meu pulmão foge, sai de perto.
A embolia pulmonar pode ficar pra depois.
O medo, a cadeira, a roda.
Escorrego e me deito.
Vejo luzes claras, estudantes por toda parte
e a cara constante de dor a me olhar.
Médicos correm e me olham, me guiam.
E eu com vontade de construir qualquer choro.
Cirurgia agora não, sai de minha veia amor medonho.
Cubro-te de um pouco de raiva e um pouco de dor.
Minha perna pesa, mas isso aqui dentro ainda explode.
Como pode deixar uma intimidade por qualquer fio.
A minha não, prefiro que nunca tivesse sido.
O medo reconstrói, e eu sozinho nessa cadeira reclamo:
- Me desculpe enfermeiro, eu deste tamanho e você carregando.
- Me leve para os fibrinolíticos, mas sem anestesia.
Ultrasom, raio-x, tempo, imensidão.
O hospital se cala, a morte passa por meu corpo.
Um medo de morrer meus pés esfria.
A vontade é gritar, embolia pulmonar?
Não. Cumpro com qualquer ativo que posso ser.
Sinto que sou muito e não pode ser.
A assassina da intimidade está por aí sendo enganada,
Cai em qualquer papo.
Meu papo dói e me sinto infeccionado.
A resposta é clara, tvp não, agora não.
Vou caminhando contra o vento,
ouvindo mano brown falar de poeta,
Jesus Cristo, Marvin Gaye, amor, vadia e tudo que interessa.
É, tem que ser paciente.

2 comentários:

Jordana disse...

Genial, posso identificar claramente aqui, no pouquinho que te conheço sua personalidade, emoção e forma de expressar...

Sassi disse...

Gordel, eu gosto de você.