segunda-feira, março 16, 2009

em posição de ser

Se o que resta é pouco
peço licença e não sobro.
Se bato,
recaio em posição de se.
Ser e sustento.
Olhos sujos,
me sinto imundo
em lapso
e arrebato.
Se me molho
me sinto largado.
E caio, bato, escarro,
assopro e pairo sobre meu salvador.
Sou de sangue e pouco me importo,
mato.
se for para o ser o que já é,
prefiro ser o fim.

terça-feira, março 10, 2009

14 de Fevereiro

Liguei o rádio e tive que desligar. A boca ficou dormente, mais uma de nossas coincidências. Madrugar ainda é pouco ao seu lado. Quero é gritar junto. Eu nunca digo as coisas pra você, prefiro evitar em algum ponto. Não gosto de pesar, e você é toda leveza que quero me empanturrar. Você sabe que desde antes de tudo que aconteceu com a gente é você minha única inspiração. Acho que no fim você já sabe de muitas coisas, não precisava mesmo dizer.
Ainda estou aqui. Estivemos assim um dia e quase sem que eu pudesse perceber de novo estamos. A amizade só eleva a melodia, acredito em amor assim, bem colhido e recolhido entre nós dois. Evito qualquer decassílabo nesse momento, não gosto de contar sílaba e a gente não vive só na poesia. É o efeito, ser poesia e prosa. É o jeito de ser ar e sentir vivo. Decassílabo é mato. Enquanto a folha corrói minha boca perco a fome. A sensação de mãos redesenhando uma fera descuidada é um pouco de prazer nisso tudo. Mas fiquemos assim mesmo, sem saber direito quantas cores explodem na órbita dos nossos olhos. O rádio continua desligado e eu nem sei mesmo a causa. Não sinto falta, não tenha medo. Esta noite apenas feche seus olhos e sinta toda leveza de ser o que a gente é, e pode ser. Nada como sonhar em começar e desejar recomeçar.
Sinto bons sons vindos de mim, e de você também. Quero a colorir e ser em branco também. Esse nome grego, a luz contemplada, próspera, segura e confiante. Gosto que termine em ís por lembrar Ísis e todo dia do amor.
O amor conta as estrelas e dilacera a harmonia. Agora sinto melodia e harmonia.
Imagino que em tanto sangue meu amor não perca o caminho. Suave ele plana. Sinto a vontade de ser completo, fico à vontade e se for para ser, assim será.

segunda-feira, março 09, 2009

dia primeiro

Encontro de seus lábios com minha vontade
Como desejo e me arrebento
Não rebato. Sou de pouca dor.
E esse sorriso de outras lembranças me enche de novo.
O olhar distante quer lhe roubar
E quero pra mim.
Como é prazer ser assaltante,
Vivenciar esse perigo no mar.
Imagem distorcida e uma mão em meu rosto.
Não apego, e não apago.
Viro fogo e saio d´agua.
Sinto cada desejo e movimento.
Mova-me com suas mãos e me reconstrói
Da maneira mais linda que já fui,
E se for para me expressar,
Que seja sempre, e para você.

tom branco

Encontro do abraço,
Pausa para os goles de água,
Encostado tento me segurar.
Não para trocar o alguém por você,
Mas para sorrir.

Que unha vermelha linda
Sinto essa pele macia e me perco
Totalmente em tanto cabelo.
Posicionada contra o sol
E arrumando cada fio, com detalhe,
Como um presente para todo oceano.

Porém continuo me revirando e engolindo.
É bom querer ir pra dentro.
E assim estou me virando.
Pra dentro de você,
Remexendo-me e chutando o preso.

O tom não é vazio, a pedra é perigosa.
Por toda parte me sinto cercado,
Por grandes ou pequenos casos.
E eu aqui, forçando a porta, sem bater.
Sinto que vou entrar. Não me emperro.

Chuto, bato e sangro.
Sussurro e grito, forte me forço. Sinto à vontade.
Contudo espere, a certeza do sim é agora.
E não sinto cheiro de fim.
Ah, como é bom desejar começar.

fora de ordem

Na vida eu quis ser simples
Tento com dificuldade.
Não quero transformar amor algum em livro.
Quero ser simples e transformar.
Com você nada de ser pavão,
Não vou me preservar.
Beijo, boca, olhares e gritos.
Música, cheiro, braços e me penso.
Simplicidade de querer morar com você.
Bola, olhos, gritos, beijos, cama e tudo fora de ordem.
Mas me atento.
Sinto o seu golpe no meu peito
e nada dói.
É você.

onde se esconde


O portão enfim se fechou,
Portão que já foi encontro,
E também despedida.
Agora, ela, se esconde por trás dele.
E sinto seu cheiro ainda em minhas mãos.
Não consigo sair desse carro,
Porque não foder?
Sacudir e agarrar
Se estamos nos separando eternamente, agora paro.
Mato e recorto em quantos pedaços for.
E se for que vá tarde,
Com as costas quentes e com meu cheiro.
Rasgo sua roupa, e não procuro mais aqui esse amor,
Procuro força, rasgada e morta.
Sinto muito, e como sinto.