sexta-feira, outubro 16, 2009

um pouco de sabor

Poeira vermelha
E sonho longo
De trepadas e muita traição.
É o gosto do maior desejo,
O outro mundo que não seja só meu.
Sou objeto? Logo eu homem sem objeto.
Membro fálico corrompido,
Sente falta de quê?
Flores, ar e sentido.
Limpo meus olhos
E minha cara está pálida.
A volta não sabe
O caminho de casa.

quinta-feira, outubro 15, 2009

arquivo de marina

há quem diga que dormi em hora errada.
bebi, menti
e sorri.
há quem diga
que eu não sei de nada,
trago não parto
calo e reparto.
há quem diga
que eu,
que eu,
que eu devo matar.

terça-feira, outubro 13, 2009

diz certo

EU ACREDITO!
relaxa e goza!
ABAIXO A DITADURA!
sei que vou sozinho, tão sozinho amor
burguesia fede?
tão sozinho amor, nem é bom pensar que eu não volto mais desse meu caminho.
chiclete chiclete quero chiclete
lula lá?
DEMO CRATAS?
adeus.
Adeus meu bem adeus, adeus que eu já vou embora
Sigo viagem chorando quem fica não sei se chora
Vou tirar meu coração fazendo um corte no peito
E deixo pra quem eu amo pra guardar com muito jeito.

we're more popular than Jesus Christ!
Please Kill Me? ui ui ui
chafariz na cara do lou reed!

sexta-feira, setembro 25, 2009

vila rica

Algo não me consola, assola e assalta cada centímetro de esperança. Móveis coloniais de uma vila não mais rica. Órgão de tubos cantam na igreja a esperança de um capaz. Jamais. Sentinela, vela e morte. Procuro o lado de uma expectativa de desbunde. Fera firo. Tempo vai me levar e unir em um caminho só. Julguei-me que ia sufocar, depois subitamente uma perversa alegria me explodiu. Tive vontade de ter irmãos e de beijar todos. O desbunde. Controverso o verso e crio o verbo. O tempo não vai me levar mesmo que me perco no sentido. Sua companhia enrega meu corpo, e exalo exatos atos. Aqui também posso ser parceria. Se meu sentimento desaparece em nuvens dissimuladas, o movimento fica aqui, e de mãos dadas vive seu vínculo. Desbundo para vida, mas hoje é dia de chorar.

terça-feira, setembro 22, 2009

um pouco de sol

Pede com sotaque de piedade
Um pouco de valor.
Já conhece um pouco do caminho,
Com sabor de vinho tinto.
Cor de abóbora
Estilhaça e não sobra.
Toque. Retoque.
Quebra e compassa.
Pele lisa esticada
Cria a cor que simplesmente cala.
Pouco de vermelho e branco.
Tempero.Toque. Retoque. Toque.
Vermelho por ser cor calor,
era cheiro.
Afaga fato do abraço fátuo.
Boca entrelaçada,
Cor única
De gosto nosso.
Pele Bruta. Abrupta Fome.
Beijo.
Aperto e pele,
Essa é a máxima, disse ela.
No último encontro,
folhas e pétalas

segunda-feira, setembro 07, 2009

perereca

A porta estava ali feita para entrar. Meu corpo doía por toda parte. Nos pés, sapatos lustrados por uma flanela laranja, daquelas de lustrar sapato mesmo. Continuando, pé encorajado e como diz o ditado, um pé de cada vez para qualquer caminhada. Porta desvinculada e seio arrepiado pelos ventos oriundos de uma tensa escuridão que parecia não ter fim. Não conseguia mais enxergar meus sapatos, não pelo fato de eu estar usando apenas uma das minhas lentes ¾, mas pela escuridão que chegava a ser úmida.
Por onde olhava via sons caminhando de mãos dadas com qualquer um. É a música na sua caminhada perversa. Meus olhos se acostumaram com o preto. No outro lado do salão, homens se espreitam no velho balcão com aquela pátina envelhecida da pior qualidade.
No centro da sala, pererecas saltitavam em formato bípede. Pulavam, socorriam, escorregavam e se seguravam com suas ventosas apropriadas e voluntariosas. Invasão anfíbia. Apesar de causarem certo nojo e pavor, pererecas são indicadores de um meio ambiente saudável. No contraponto, homens conversavam sobre a reputação das “verdinhas dançantes”, ato típico da sociedade machista. Cotovelos bem encaixados no balcão do bar procuravam conceitos espalhados no centro da pista. Uma perereca, capitã da equipe feminista de basquetebol trazia seu baseado, ia de encontro a seu macho e tentava puxar uma conversa:
_ Oi gato
_ Ah gata, nem vem, to ainda pensando naquilo, ta foda.
_ O quê?
_ Vou matar aquele cara que te comeu. Eu mato.

E o macho tremia seu queixo com mais um desejo assassino de comer a outra coxinha da verdinha, ou quem sabe a sobre coxa de anfíbia feminista do time de basquete.
Em fila indiana, primas da perereca capitã rumavam ao balcão e levavam suntuosos tapinhas no bumbum, e davam outros tapas no baseado. Tapa?
Logo procuravam um banheiro para se olharem. Embrenhadas em sustento meio sujo, suavam super na moda.
O banheiro em explosão se entupia com a vaidade anura. Meu corpo ia sendo esfregado sobre o chão, levado e esgotado na sarjeta.
E agora o que falta?
A feminista assassina da sua obra? O Sartre roçando sua língua na minha? O machista acotovelando seus desejos?
Que nada.
Fugi, e agora estou aqui.
Suado e sem muito queixo, corro por todo centro, tento escapar pela Barra Funda e me encorajo no caminho pré-Sé. Jesuítas me salvam?Santa Ceia? Santo Daime concretista.
No encontro da Rua Florêncio de Abreu com a Ladeira Constituição, prego meus olhos nos caranguejos que nascem nas calçadas sujas de ferramentas. Estou sendo cercado, é agora neste momento a hora do socorro.
Caranguejos pernambucanos destilam seu manguebeat pelo centro de São Paulo. É o morto, é a ruga, é meu marte.
Sapateio e desconverso. Os crustáceos me perseguem e invadem todas as ruas que podem acontecer e morrer. A 25 de Março vira um mar de caranguejos suculentos nutridos de pererecas oriundas de uma Amazônia pré-colônia. É a beleza, é a fuga, é a fuga, é a fuga.

sexta-feira, agosto 21, 2009

natal

Dentro de mim
Respira fundo o peso do concerto
Entre o fatal e o natal.
Seus olhos contam quantas
Cores podem ser.
O amor quebra e replica.
Desmorona por ter.
Subtraio o vento insano do seu desejo
Cor de fantasma e forma devassa.
O vazio vem natural dentro do corpo.
Sangue corre,
E assume o poder da criação do ser.
Renasce amor assim,
Sem muito dever.
O querer vai junto com todo vendaval
Que forma o cheiro da chuva interiorana.
Gosto de terra,
Cheiro que arrepia,
E pele negra.

quarta-feira, agosto 19, 2009

sindicato do bar

comida ou lanche?
o bar tira no toquinho.
dá 5
e sou 6.
sou o último da fila
na piada do beijo
sem olhos fechados
e sem a boca.
para que beijar?
é o melhor do melhor gritar.
eu grito, sinto-me pouco fértil.
convexo, sou todo torto.
a porta se abre
e só vejo assombração.
quarto escuro, e por favor,
meu lanche é sem presunto.

via apiacás

Não tem nada a ver
Você com essa tara de ser triste.
Não resiste,
Persite a um canto de urrar.
Abram as cortinas
Que seu espetáculo
Não quer parar.

sexta-feira, agosto 07, 2009

maionese, suor e cigarro


licença concedida pelo autor para mais um “isto também é um texto”.
o famoso pretérito mais-que-perfeito para começar.

eu rompera
tu romperas
ele rompera
nós rompêramos
vós rompêreis
elas romperam!
matando o morto!

meu presente!
eu rompo
tu rompes
ele rompe
nós rompemos
vós rompeis
elas rompem
é repmor, é repmor, é repmor!

Que ela rompa,
e se nós rompêssemos?
ruptura e o caminho da cultura contra-cultura ou cultura cultura.
Romper o quê? Tem medo de que?
O caminho é só agregar. É como gozar na cara. Romper é algo muito caduco e antigo.
Tudo já está aceito, quem discute com você, rapaz?
Me sinto com um torcedor do Botafogo comemorando hoje o título carioca de 1989 no Humaitá.
Sinto o que o Caetano falou em é proibido é proibir. Sempre a mesma coisa?
Caduco, o urso.
De onde a arte se alimenta? A arte tem fome? A rua já foi. Ta aqui digerida dentro da barriga.
vamos ver se tem droga aí atrás.
eu quero ver o Vlaminck cantando na rádio Mayrink Veiga.
rejeição da perspectiva?
É o Cordão do Vlaminck na Mayrink Veiga saindo em pleno sábado de carnaval na avenida Rio Branco. Virgulou?
Bota aí rapaz.
Jovens skatewear vão até a rua Antônio Alarcon para um encontro numa lanhouse.
Falarão do Vlaminck? Pode ser.
Falarão do Rosenbrick? Pode ser.
Ou do Nietzche? Podes crer.

Os dilemas envolvidos na descentralização do hardware merecem consideração. Onde termina a tecnologia luddita e começa a tecnodependência retrógrada? Este é em grande parte uma questão de descobrir sempre o indefinível meio termo. Se Ned Ludd, criador do movimento luddita queimasse mais máquinas teríamos vasto emprego ou menos skatewear na prateleira?
É como a molecada descendo a ladeira e cuspindo pra cima.
Pra que tantas interfaces, signos e temperos?
É tudo a mesma coisa na mesma coisa e sentindo a mesma coisa. Arte em ir para o que não tem solução.

segunda-feira, agosto 03, 2009

francisco anísio e seu distúrbio faustaneano

Francisco Anísio é aquela promessa ou aposta que sempre temeu dar errado. E deu?
Com seus olhos espatifados com oríficios pouco delineados ele buscou a única verdade que sentiu, o plágio.
E o que sentem os habitantes desse super-gueto trancafiado por marginais malfadadas e bem dotadas de litígio?
Boate amazônica, Boate Amazônica.
Uma rima, grafite, arte, esporte e sua busca pela liberdade visual da falada amazônica legal. De sua essência incessantemente separatista basca ira ativa.
Cisco, como era conhecido, perdeu seu emprego de plagiador oficial dos livros do ex-vice presidente nacional, Marco Maciel. O seu caminho como mero escritor não-bastardo o transformou em imagens de mundos que só existem.
Cisco gritava:
-Todos oríficios devem ser cortados, sexo nunca mais, devemos nos livrar do biológico, corpo sem orgãos, já. Vote em mim ou nele, mas que seja já. Já foi!
Cisco desempregado voltou para sua casa cibernética e tapeou todos os dias com seu vício secreto de caminhante desenhista. E por lá desenhou durante 6 meses o seu maior caminho.
Rodou, rodou e rodou pelo lado externo da casa plagiada de um arquiteto sueco.
Seu dia-a-dia era caminhar em círculo, passando pelos mesmos centímetros de grama, criando um vácuo contido de sentimento e cor.
Rodou, rodou e rodou. No segundo dia já sentia espamo na lingua resultante de um ruminante paladar descontrolado. O que sobra? Vômito delirante.
No décimo sétimo dia, Cisco já andava em seu desenho com o nível do chão da casa em seus joelhos, ele apenas ressaltava sua falta de escolha e o amor incondicional sobre o plágio.
-Pegue suas próprias palavras ou as palavras ditas para serem as próprias palavras de qualquer outra pessoa morta ou viva. Você logo verá que as palavras não pertecem a ninguém.
-Um disco de candomblé e o cyberpunk café. Qual será a verdade?
Calma aí, eu posso interagir com você? É internet? Eu posso gritar com você, francisco.
-Cisco
Como queira, cisco, de minissaia e minidéia eu rasgo você e digo mais.
A evolução dialética acabou, Fausto Fawcett acabou, Pelé acabou, John Lennon acabou, o download acabou, agora a história é outra, baby.É straming, baby. Streaming Streaming Straming.
-Fuck you mister R. A loirinha bombril ou juliette, filha bastarda do carrosel holandês, tanto faz ou fez o. A rima é feia e o plágio é de todos nós.
Ok. Já no trigésimo dia, Mr. Cisco contava e recontava seus passos humilhantes sobre sua família nata.
Papo de samba, ou loirinha belzebu, o círculo é o mesmo e o fado contagiante.
- Santo plágio, santo plágio, minha mulher sua fodida, leve hoje as crianças para aula de audivisual. É audivisual, é audivisual?
Chicão já repetia tudo. Massante massante e o mesmo o mesmo.
No meio do caminho, três meses, Anísio já cantava seus maiores sucessos de Chico Buarque.
Mas esqueceu de qualquer uma que falasse de boate. Boate amazônica meu querido! Boate amazônica!
Ele transcedeu o formato de ser e não estar, e girou pela última vez nos 3 meses restantes. Eram seis meses sem bom dia e bom pastor. Seu sangue descongelou e seu cérebro se enquadrou.
Roda gigante, sua casa o cercou e Francisco reinou. Dono daquele círculo, daquela gente, ele gritou e consumiu seu vapor.
Rodou redundante e circulou. Cantou e sorriu.
Cisco relutante. Cisco reluntante. Cisco empoeirado.
Cisco evaporado! Cisco evaporado!

terça-feira, julho 14, 2009

angu

Cego teus olhos
e não vejo nada nesse momento.
Meus olhos são pura brancura,
massageio meu ego com faca de cortar legumes,
rasgo meu peito
e torno o sangue meu sumo.
Lambuzo,
enfio os meus dedos nos olhos,
orelhas e boca.
Dilacero-me em pedaços,
me corto,
me fodo,
e espirro vermelho por toda parte;
Viro tinta e pintura.
Sorrio,
soco na cara
e final feliz.

sábado, julho 11, 2009

verde

O que falar agora
Se eu encontro viver devagar.
Eu quero ser contracapa,
Esquecer o poder.
Me libertar sem me socorrer,
E saber minha fé.
A felicidade.
E não importa que você
Esteja em outra calçada
De mãos dadas e ajoealhada.
Que corra a semana
Para gambiarra de domingo.
Eu, santo, capeta,
Grito!
Eu quero o esporro.
Ser para ser você?
Será?
Sabemos o doce das mãos,
Meu vento é seu, e
Nosso olhar molha o horizonte
Em pares.
O ar da imagem,
A saga do ser
E o sorriso dentro do meu.
Tudo que você podia ser,
Sem medo.
O exagero é tapa na cara.
A capa e o corpo.
Gostosa sacola com semeadura,
Em contrateste se mente?

quinta-feira, julho 09, 2009

cinco anos no dia dois

Baixa d´agua,
Ficaria pra sempre
No seu futuro
Como se eu fosse são.
Gostoso experimentar,
Será você?
Sem recado,
E sem vontade de voltar.
Abraça logo um cara
E diga logo para mim
Para me dar assim
Muito além de dentro.
Espero ficar sem você.
É o nosso momento
Você, o mesmo.
O amor nos fez
E me tirou a cara de tanto.
O rio em julho congela,
Corro em copacabana,
E me mostro onde estou.
Você é um encontro para uma letra.
Para sentimento.
Para ser cor.
Enquanto eu não delato
Esse objeto japonês
Há duas vozes
E nenhuma me aproxima de você.

quarta-feira, julho 01, 2009

diário de junho

Vou correr. Estou pensando você. Um amor de carnaval em plena festa junina é raro, porém com a gente é assim, é fogueira e é quentão. Subestimo meu passeio, entro no parque e começo a retalhar cada compasso de vida que me passa. A menina caminha falando no celular. Os dois aposentados comentam sobre a vida pós-viuvez. A bola rosa da criança rola em minha direção e chuto sem muita precisão. Ok, nunca tive muita noção de minha força, a bola vai parar do outro lado do parque. A astronauta passa por mim com tantos efeitos, pratas em seus equipamentos e seu patins supersônico. Vai cair, tomara. Seria o justo para tanta produção. O celular volta a passar e termina com a frase “Ele jura que não fez”. Ah, eu também não fiz, juro. A bola já está por voltar e a mãe agradece timidamente com um: "obrigado moço". Vou correndo e passando, voando pelo aeroplano. Por ele vôo sobre minha marginal. Ah, se todas fossem iguais a você eu seria o cafajeste que você sempre pintou. Tem sorte que eu não pinto e você é só você. Seu patins, essa perna toda machucada, fodida, mas com alguns campeonatos de não sei o quê que você já ganhou. Não é por falta de vontade, mas esqueci o nome. Porém que é única é. Essa enorme tribal, macia, gostosa, sobre, sob, sobre. Declaro esse amor, e é pra já, o parque já está fechando e é uma onda ser moço.

terça-feira, junho 23, 2009

calada

mingus: e se for para ser leve?
que seja inteira
entrando devagar
sem cansar
só sambar
e ficar dentro por toda hora.
se for?

júlia: eu sou neguinha.

mingus: forçou, vingou, aprendeu, bateu,
e soou em mim.
suei,
encolhi,
subi em mim.

júlia: este samba de mãos, sei não,
que fica cada vez mais pesado e incansável.
uma saliva vem molhar meu desenho
me faz sentir um calor intensamente excitante

mingus: em processo me transtorno
me formo e transformo em mordidas.
chupo cada dor, e ranco de ti o supra
o sumo, o gosto,
e como.

júlia: uma viagem louca, minhas mãos percorrem o contorno do rosto
e encontra uma fuga entre cabelos,
que nascem de uma nuca fria, mas aconchegante.
são peles trêmulas a se encontrarem pouco a pouco.

mingus: me come.

júlia: sensação de cruzar as pernas quando se sente o calor presente ficar por um tempo,
mesmo quando já está descruzada,
é como a contração se transformasse em umidez.

mingus: embrenho-me em tantas pernas.

júlia: este samba me provoca sons quase surdos, mas vibrantes.
sou de quem me possui.
Você me provoca respirações nervosas.
Braços me agarram como temessem que eu partisse,
dedos com unhas que deixam marcas impiedosas
sob uma pele suada,
nua e
trançada.

mingus: na mordida crua
mato como se marca.
aperto sua cor
tapeio qualquer cheiro
sinto dentro de ti essa onda
e pulo
passo a vez
e dessa vez que venha nua.

júlia: pernas que aprisionam
e não são mais dedos que tocam,
mas lábios que se maquiam de beijos.
cada membro espetacular.
beijos e pensamentos a descansar.
permita que suspiros invandam os ouvidos
e faça de minha cabeça uma caixa acústica.

mingus: cansamos!

júlia: derramamos esse líquido
com cheiro que provoca meu instinto.
eu lambo e te engulo.

mingus: essa canção por mim não tem fim,
corpo delicado,
e agora já foi
sinta-se em mim, sente?
...
matei um samba?

terça-feira, junho 16, 2009

fim boom

O fim já foi.
Confundiu.
O sim.
O fim não tem cheiro,
Retas e nem joelhos.
Dia da semana ou nos seus finais
Tanto faz o fim.
Com ele se começa
E se acaba.
Separa-se e maltrata.
Na boa união
O fim será tempero
Mensageiro, parteiro,
E parte-me.
Posta em si
E sapeca outro não.
Sim,
O fim é assim
Leva para si
A responsabilidade de decidir.
Se sou fim, pouco sei.
Resto pouco no lá.
Não gosto de opinar,
Contudo o fim é bom
Pois já nasce
Em poucas palavras.

domingo, junho 07, 2009

viagem ao domingo

Eu sinto um pouco de tontura hoje.
Minha mão arranha esse pedaço de barco velho
Esse escaler que só tem ferrugem.
Sinto os calos da oxidação do ferro
Que são como montanhas
Que vão redesenhando minha mão.
Noto cada sinal que me transmite.
Esse barco sem vela
Não navega em paz
Tão pouco importa ventar
se a vela não se acende mais.
Não acena
Não sai de cena
Não toca em mim
O barco, o astronauta,
Esse céu azul
A vertigem compromete, mas não me mete
E o barco vai, vai
Mistura em minha órbita o céu e mar
A tontura recai
Entra no meu peito
Surra meu medo
E explode em minha boca
Como bolinhas de sabão
Que arrepiam meu sentido
Que em linha se contrai,
Corrompe,
E falha.

segunda-feira, junho 01, 2009

a resto

Quem gosta de resto? Trocado, variado e arranhado.
Quem fica com o resto? Certeiro e ranho cansado.
O resto tem porque ser trocado.
Ou troca algo, ou vira quem.
O resto vira troco mal amado e resto da pá virada.
Ser troco é assim que o resto vem.
Eu não quero resto de ninguém.
Mesmo que eu já soubesse que seria descartado.
Nenhum troco torceu para ser trocado,
E nenhum resto torceu para ser deixado.
Se for resto, inteiro-me.
Mesmo que meus olhos se confundam com tantas luzes, apartamentos e edifícios. É difícil não se perder nessa vertigem e imaginar a seco o que está por vir.
Dentro do ônibus vejo o cobrador, com gestos gentis, ser o próximo a morrer com um tiro na cabeça. É mais um assalto, é minha cabeça revirada, o sangue escorre na catraca e fica seco.
O troco do alguém voa pelo chão, a moeda corre, desenha o diabo em mim, passa por todos e morre. É resto. É a morte dentro de mim.
Ser trocado pode se tornar divertido, eu crio o inferno e gesticulo sem fim. Mexo a cabeça e esporro a saudade. O nojo me contagia mesmo sem querer gostar de resto.
O ônibus para, e dou um salto para o outro lado da rua, minha boa estatura me ajuda a pular por metros, caio com os 2 pés na cabeça de alguém. Se ferir, reviro, mastigo e sinto. O vento corta meu rosto, mas não me estilhaço, sigo inteiro e sem contato com nenhum olhar.
Os cachorros não latem mais para mim enquanto passo em silêncio e apago minha sombra.
O menino do skate cospe na terra, e passa o pé por cima em clima de educação. Entendo o ranho arrastado, pisado e bem criado. Se for resto, que fique no pé de alguém. O lixo. Não esquento mais resto para o lixo comer.
Eu continuo inteiro, passo pelo sinal e corro até o começo da estrada. A hora de voltar pra casa é agora. Volto correndo, mesmo que um dia eu possa explodir em mim.

sexta-feira, maio 29, 2009

ingenuidade

sinto a fragilidade de ser exagerado,
eu peso, peso e pesa.
retiro e não retribuo.
puxo gal, estouro em cazuza
e me sinto marina.
sê sou, é fragil.
roçar, só se for a língua.
nada de terra e nada de semente.
olhar que aperta quando me vê.
o som da burguesinha explode no rádio do vizinho.
eu tinha voz, era grossa e maçante.
passaria tudo outra vez.
em Norma e Morais
senti a minha ingenuidade aflorar,
a cair e a sorrir.
eu não reclamo do que ela fez,
fiz papel de um garotinho
que busca um amor com mais que mordidas
ser comida, ser todo amor que houver nessa vida.
e eu tô perdido,
em frente a sua casa,
pedindo tua mão,
mão de menina e gosto de carioca.
para roçar em meu peito tão fortes apelos.
sinto migalhas de você por toda parte,
como vaso que pode explodir,
e um dia poder voltar a vir.
estou aqui.

quinta-feira, maio 28, 2009

abusado

Todo mundo usa
O que eu uso.
Todo mundo abusa do abuso
Todo mundo não é o mundo.
O mundo tem ritmo, símbolo e forma.
Reformar é preciso.
Mesmo acoleirado, a luz reaparece
No sentimento de liberdade,
E no conhecimento do seu mundo.

quinta-feira, maio 14, 2009

meu pai

Era junho de 1959, o frio se embutia em cada pedaço do meu corpo, as pernas de um menino de seis anos tremiam e se gesticulavam em desenho de dor. Meu pai, caminhoneiro nervoso, ao lado dirigia seu velho Fenemê 1947 e reclamava mais uma vez de entrar naquela marginal com aquele odor que só São Paulo transferia e transformava para nós do interior. As sombras das nuvens apareciam em meu corpo, eu tentava brincar e redesenhá-las nas minhas pernas finas e frágeis. Em torno do nosso velho caminhão o vento soprava e construía linhas flexíveis aos meus encantos. Eu continuava a desenhar as sombras e agora o ar. Mexia e reconstruía cada forma que aquela cidade me transmitia. O asfalto esburacado construía dentro da cabine um grande assalto de ruídos e imagens e eu pouco me importava com isso. Queria gesticular e me inventar maestro naquele sentido de sons e naquela porção de carros que passavam feito trovoadas. O caminho esboçava meu corpo até o local onde a carga seria entregue. Naquele pequeno período dentro de São Paulo eu edificava dentro de mim diversas histórias e sensações de ser criança e de ser construtor. Em 1959 pouco importava ao meu pai a sensação de ouvir pela primeira vez João Gilberto, ele apenas se atentava ao rádio para saber se Juscelino Kubitschek declararia ou não moratória ao FMI. Desde essa época essa sigla já incomodava e dava muito suco aos jornalistas. Bem, mas isso no fim é o de menos e o caminhão enfim chegava a sua base de entrega. Uma pequena guarita controlava a saída e entrada de veículos e o velho Fenemê parou com a destreza que só ele sabia ter. Aquele barulho do freio de caminhão me impulsionava, sentia dentro da minha própria cabine de trem. Sentia-me dono daquela esperança e sem aquele frio que me comprometia. Documento conferido e aprovado, contudo um detalhe menor se transformou para mim em um monstro gigante, como aquele King Kong que eu havia visto no cinema. Era proibida a entrada de crianças e eu teria que ficar ao lado da guarita esperando meu pai descarregar a carga. E assim foi e fui feito. A noite já assombrava minha mente de criança criativa, e ficar por horas sozinho era uma tensão que eu não queria. O vento cortante da capital me reduzia em algo cada vez menor. Minhas pernas finas e aflitas tremiam e eu não podia chorar, pois os ventos levariam qualquer lágrima para bem longe e eu tinha medo que elas fossem raptadas por qualquer monstro que viesse me perseguir dentro dos meus sonhos. Meu pai não voltava, e o homem da guarita pouco se importava naquela pessoinha cada vez menor e assustada. Uma hora, duas horas, três horas e enfim meu pai voltou. O sorriso em vê-lo foi uma explosão em minha cabeça. Eu saí correndo, e é claro fui abraçá-lo. Hoje não entendo porque ele não brigou, discutiu, feriu aquele homem por não me deixar entrar, mas pouco me importa. Aquele abraço seria para sempre minha casa e o ritual que eu nunca mais iria deixar de querer.

terça-feira, maio 05, 2009

o caso

Três horas da manhã. Ela corria vestida de azul, sorrindo, e dizendo adeus com um lenço. Com a outra mão em porcelana, acaba por deixar a luz cair após um estrondo. Levanta-se, mexe-se e sob a lucidez lívida vê ressaltar em seus braços uma mão clara.
Agacha-se lentamente e busca por toda parte. Está em estado de penumbra. O obstáculo de terno colorido, sapato preto e cheiro de cachaça, entope o que não pode, e ajuda a buscá-la o objeto luminoso. Sem saia, ela abruptamente reforça seu rosto e corrige a boca, sussurra e não separa, não sente-se só e não espalha. Se o medo é de mar, resiste e confessa. Ele dá meia volta, puxa seus braços e abraços. Levanta seu rosto, traz perto a luz, suspeita o ócio e delira em olhos. No chão a luz suplica, sobe aos corpos e vai de encontro. Explode em necessidade qualquer. Nunca recusaram essas emoções. Transportam o dedo e enxergam o rosto. Agora sussurrando em ouvidos, os dois reconstroem a cor. O terno já batido se retrai e fica ainda menor. O rosto pálido a veste sem contornos. Os dois lado a lado resistem a própria beleza. Duas horas depois, a vela continuava acesa, levantara-se o vento, o céu clareava e o acaso não mais existia.

quinta-feira, abril 30, 2009

demo rá

Eu pinço a boca
E puxo o sorriso
Se vou à louça
Prego logo seu bicho
Te empurro e empanturro de dedos,
Te lambuzo e o que for
Desejo.
Se for para ser e será
Te dou logo um beijo
Com esse samba patatá
Menina, menina, meni ná.
Salgada a boca eu enveneno,
Tiro da roupa
E tenho pouco senso.
Sinto a sílaba
Da roça não vista
Que quero me dar.
Demorará, demorará.

sexta-feira, abril 24, 2009

o meu é crédito, por favor.

Ela começa a bater
E quebra inteira.
Nua, negra
Sem ritma e pistão.
Muda nela
Nada muda
Quase mela
Com sotaque de odor.
Será mesmo a cabeça?
Duas notas, fodeu.
Há alguém à espera.
Trincheira de vozes,
Soco no ar, espírito comum.
Sai do corpo e melo.
Meu corpo branco,
Escova a dentina.
Bailarinas por toda parte,
E soco no escroto.
Para que pesar entre as pernas?
Duas notas, rendeu.
Caído rola entre a boca.
Rosa, rosa, rosa.
Escorre em meus seios,
E perco a memória.
Temo e você teima,
Quem güenta?

domingo, abril 19, 2009

samba fela da puta

Sua bicha louca sem tamanho
Sabor de Llosa, Garcia marquez e seu borges.
Medo de latinidade
Compasso e cabaço
Regaço o ragazzo.
Sobre o rei
Sou redentor.
Arrebato e traio
Chuto pra cima o odor
Guitarra desvairada de merda
Sem pudor
Consome o sumo
Saco cururu
Medo de quê?
Ai ai ai Vanessa da mata.
Vanessa tem razão, lobão não.
Papinho, papinho
cai em qualquer falta de expressão,
o bom gosto tem razão.
Prato cheio e bola redonda
Branca e pesa nela
Cabeça dura na janela
Olha o copo.
Explode,
E de cabeça sai biquínis, bundas
Um monte de onda tatuada e deslavada.
De rodinha em rodinha a testa se quebra.
Rola como um espartilho sem expressão.
Sem sambar tem razão.
Menina pobre e feia,
O sol cansou de você.

quinta-feira, abril 16, 2009

cometa ou felicidade

Tantas vezes São Paulo,
Capiau e normal.
Sinto a umidade comprimindo meu ar.
Lágrimas caem e correm
Uma de cada lado.
Desenham em meu o rosto o susto.
Descem em meu peito em um só caminho,
Como um rio que passa em lugares outras vezes
Vistos apenas por risos.
A vida continua, pranto contido,
E o alívio rompido.
Lágrimas desaparecem, desobedecem e morrem.
É hora de abastecer, nem se for para gritar.
Solto a voz, mas agora que seja na rua,
Nessa nudez
E nesse cheiro de amar

sábado, abril 04, 2009

paciente 726

Senha 726, um chamado,
Corpo doendo e perna inchada.
O sistema nervoso de um gigante
Se titubeia e cala.
Se entope e vira veneno.
Uma trombose Venosa Profunda à procura.
Pega-me aqui, pega ali.
Me sinto pequeno e sozinho.
"Por favor, 726, sente-se nessa cadeira"
E assim vai descendo a procura da tromboflebite profunda.
Acha nela quase ela.
Uma cirurgia, uma rack, um sorriso da enfermeira.
A coagulação me compromete e me mete.
Meu pulmão foge, sai de perto.
A embolia pulmonar pode ficar pra depois.
O medo, a cadeira, a roda.
Escorrego e me deito.
Vejo luzes claras, estudantes por toda parte
e a cara constante de dor a me olhar.
Médicos correm e me olham, me guiam.
E eu com vontade de construir qualquer choro.
Cirurgia agora não, sai de minha veia amor medonho.
Cubro-te de um pouco de raiva e um pouco de dor.
Minha perna pesa, mas isso aqui dentro ainda explode.
Como pode deixar uma intimidade por qualquer fio.
A minha não, prefiro que nunca tivesse sido.
O medo reconstrói, e eu sozinho nessa cadeira reclamo:
- Me desculpe enfermeiro, eu deste tamanho e você carregando.
- Me leve para os fibrinolíticos, mas sem anestesia.
Ultrasom, raio-x, tempo, imensidão.
O hospital se cala, a morte passa por meu corpo.
Um medo de morrer meus pés esfria.
A vontade é gritar, embolia pulmonar?
Não. Cumpro com qualquer ativo que posso ser.
Sinto que sou muito e não pode ser.
A assassina da intimidade está por aí sendo enganada,
Cai em qualquer papo.
Meu papo dói e me sinto infeccionado.
A resposta é clara, tvp não, agora não.
Vou caminhando contra o vento,
ouvindo mano brown falar de poeta,
Jesus Cristo, Marvin Gaye, amor, vadia e tudo que interessa.
É, tem que ser paciente.

segunda-feira, março 16, 2009

em posição de ser

Se o que resta é pouco
peço licença e não sobro.
Se bato,
recaio em posição de se.
Ser e sustento.
Olhos sujos,
me sinto imundo
em lapso
e arrebato.
Se me molho
me sinto largado.
E caio, bato, escarro,
assopro e pairo sobre meu salvador.
Sou de sangue e pouco me importo,
mato.
se for para o ser o que já é,
prefiro ser o fim.

terça-feira, março 10, 2009

14 de Fevereiro

Liguei o rádio e tive que desligar. A boca ficou dormente, mais uma de nossas coincidências. Madrugar ainda é pouco ao seu lado. Quero é gritar junto. Eu nunca digo as coisas pra você, prefiro evitar em algum ponto. Não gosto de pesar, e você é toda leveza que quero me empanturrar. Você sabe que desde antes de tudo que aconteceu com a gente é você minha única inspiração. Acho que no fim você já sabe de muitas coisas, não precisava mesmo dizer.
Ainda estou aqui. Estivemos assim um dia e quase sem que eu pudesse perceber de novo estamos. A amizade só eleva a melodia, acredito em amor assim, bem colhido e recolhido entre nós dois. Evito qualquer decassílabo nesse momento, não gosto de contar sílaba e a gente não vive só na poesia. É o efeito, ser poesia e prosa. É o jeito de ser ar e sentir vivo. Decassílabo é mato. Enquanto a folha corrói minha boca perco a fome. A sensação de mãos redesenhando uma fera descuidada é um pouco de prazer nisso tudo. Mas fiquemos assim mesmo, sem saber direito quantas cores explodem na órbita dos nossos olhos. O rádio continua desligado e eu nem sei mesmo a causa. Não sinto falta, não tenha medo. Esta noite apenas feche seus olhos e sinta toda leveza de ser o que a gente é, e pode ser. Nada como sonhar em começar e desejar recomeçar.
Sinto bons sons vindos de mim, e de você também. Quero a colorir e ser em branco também. Esse nome grego, a luz contemplada, próspera, segura e confiante. Gosto que termine em ís por lembrar Ísis e todo dia do amor.
O amor conta as estrelas e dilacera a harmonia. Agora sinto melodia e harmonia.
Imagino que em tanto sangue meu amor não perca o caminho. Suave ele plana. Sinto a vontade de ser completo, fico à vontade e se for para ser, assim será.

segunda-feira, março 09, 2009

dia primeiro

Encontro de seus lábios com minha vontade
Como desejo e me arrebento
Não rebato. Sou de pouca dor.
E esse sorriso de outras lembranças me enche de novo.
O olhar distante quer lhe roubar
E quero pra mim.
Como é prazer ser assaltante,
Vivenciar esse perigo no mar.
Imagem distorcida e uma mão em meu rosto.
Não apego, e não apago.
Viro fogo e saio d´agua.
Sinto cada desejo e movimento.
Mova-me com suas mãos e me reconstrói
Da maneira mais linda que já fui,
E se for para me expressar,
Que seja sempre, e para você.

tom branco

Encontro do abraço,
Pausa para os goles de água,
Encostado tento me segurar.
Não para trocar o alguém por você,
Mas para sorrir.

Que unha vermelha linda
Sinto essa pele macia e me perco
Totalmente em tanto cabelo.
Posicionada contra o sol
E arrumando cada fio, com detalhe,
Como um presente para todo oceano.

Porém continuo me revirando e engolindo.
É bom querer ir pra dentro.
E assim estou me virando.
Pra dentro de você,
Remexendo-me e chutando o preso.

O tom não é vazio, a pedra é perigosa.
Por toda parte me sinto cercado,
Por grandes ou pequenos casos.
E eu aqui, forçando a porta, sem bater.
Sinto que vou entrar. Não me emperro.

Chuto, bato e sangro.
Sussurro e grito, forte me forço. Sinto à vontade.
Contudo espere, a certeza do sim é agora.
E não sinto cheiro de fim.
Ah, como é bom desejar começar.

fora de ordem

Na vida eu quis ser simples
Tento com dificuldade.
Não quero transformar amor algum em livro.
Quero ser simples e transformar.
Com você nada de ser pavão,
Não vou me preservar.
Beijo, boca, olhares e gritos.
Música, cheiro, braços e me penso.
Simplicidade de querer morar com você.
Bola, olhos, gritos, beijos, cama e tudo fora de ordem.
Mas me atento.
Sinto o seu golpe no meu peito
e nada dói.
É você.

onde se esconde


O portão enfim se fechou,
Portão que já foi encontro,
E também despedida.
Agora, ela, se esconde por trás dele.
E sinto seu cheiro ainda em minhas mãos.
Não consigo sair desse carro,
Porque não foder?
Sacudir e agarrar
Se estamos nos separando eternamente, agora paro.
Mato e recorto em quantos pedaços for.
E se for que vá tarde,
Com as costas quentes e com meu cheiro.
Rasgo sua roupa, e não procuro mais aqui esse amor,
Procuro força, rasgada e morta.
Sinto muito, e como sinto.

terça-feira, janeiro 13, 2009

mas se você soubesse


Pernas compridas, pele branca,
Sorriso vermelho, detalhes por todo rosto
Olhar fulminante, e mulher de sr. Sóremi.
Sr. Sóremi que aos 14 anos a conheceu, amou,
e depois morreu.
Se tornou dor, tristeza e ódio.
As 4 da manhã era hora de sua chegada,
ele possuía uma faca, mas não a usava.
Preferia não ter o trabalho de buscá-la,
e ali mesmo assombrava as noites, matava o amor.

Na manhã, sempre inquietude,
e ao mesmo tempo, o silêncio.
Com o amor espancado,
Sr. Sóremi, satisfeito, ia para o trabalho.
Ela juntava cada pedaço de pecados e ilusões.
Aquela boca não era mais só para beijar,
guardava sua vida, sua dor, e sempre estava borrada.
Se sentia morta, frágil, arranhada com o amor.
A frustração a satisfazia,
o período é de esperar a morte.

Olhar a grama, as crianças pelo jardim,
e o gramado amarelado em frente a sua casa,
era seu calmante. Sua forma de respirar.
Sabia que dentro de tudo isso,
resistia o sentimento. Resistia sua pessoa.
Com mais de 30 anos, ela se esquivava de ser feliz,
sem deixar dirigir sua vida,
era já noite, e as 4 da manhã já estavam para chegar,
ela já sentia dor, choro por toda parte, mas deitava,
quieta, escondendo cada forma de tremer.

E o momento das 4 horas da manhã não existiu,
o silêncio calou toda dor,
os pássaros mais apressados já começavam a cantar.
Ela não entendia, chorava.
Sentiu uma mão eu seu rosto,
carinho em seus cabelos, um beijo em seu queixo,
pequenas mordidas pelo seu pescoço.
Desabotoou levemente seu vestido,
consertou a fisionomia,
Continuou a despir-se e, enquanto isso, ele não deixava ser apalpado.

Ela sentia vontade de explodir,
se transformava,
até morreria, mas nua no prazer.
Sentia agora aquele corpo,
grande, espaçoso, peito enorme que a afogava.
Boca macia que a comia por toda parte,
ela o sentiu, porém não quis explicação.
Acordou, sorriu,
e se levantou
pela última vez.

sábado, janeiro 10, 2009

o movimento

O vento,
liso e que constrói esse corpo.
Esse lábio
que me faz desmontar.
Entra dentro de mim todo seu poder
de ser beleza, de ser vento.
Bem baixo, sinto tormentas de ciúmes,
Ventos irmãos presunçosos.
Euro e Zéfiro
Rebatem, sacodem e caem.

Sinto o cheiro indo embora.
O gosto do esforço
e a areia em meu corpo.
Sinto-me como no encontro de Eolo e Iansã.
Pele quase vermelha,
deusa dos ventos e tempestades,
sinto o tocar de seu corpo,
um breve sussurro,
E deitado assisto todas as cores mudarem

Qualquer um seria bobo
de não se apegar.
Qualquer jeito, uma forma
e pele morena.
Sinto uma força,
um corpo.
É cheio e tem jeito.
Passa a vida, passa o ar,
e dentro de uma vida
vejo o tempo formar.