sábado, janeiro 15, 2011

a saudade

Mantenho-me em meu único momento de existência. Parado, confuso e com os olhos grudados em um futuro que não existe. Em minha volta, encontro entalado em minha mente uma coleção de pesadelos malfadados e mal falados. Contorno meu rosto, e procuro algum espaço além das falhas de uma barba repartida por falta de hormônios. Homônimo a mim, cantarolo aquela música que nunca existiu.
Sou um homem sem passado e, portanto sem futuro e sem escolhas. Sou um buraco negro dentro de mim em um momento que não tem sentido. Neste mundo estranho, com estranhos, não me sinto parte daqui.
Eu sei que só posso lutar para isso acabar. Mas o fim escapa das minhas mãos na mesma velocidade do meu sentimento. A memória emocional, a mais rudimentar sensação de existência, é a mais profunda e difícil de deter.
Atiço minha fantasia e coloco novamente minhas mãos em minha face. Eu não sei, eu não sei de qual realidade você, e eu, estamos pensando. Tenho uma saudade eterna.

domingo, janeiro 09, 2011

o que distingue?

Nesse alvorecer não quero pressa,
Quero jogar meu braço no mundo
E tornar o minuto em você.

Dentro do juízo,
Dormimos bem.
É o primeiro dia do ano.

Os sentidos que nós deixamos,
Tomam conta desse pedaço
De fim de festa.

A ausência me transpõe em vontade.
O ar sobe,
E o peito escorre.

Desespero se apaga.
Sonho e lua cheia não se acabam?
Enfim, o dia renasce.

Pra que mentir?
O que distingue
Você de você?

Sol solidão.
Num canto, você canta
No outro você é tanto.

Até que hoje o dia tem cores
Ainda não vistas por mim,
Como é bom que você só exista neste dia de sol.

Deixei tudo e o nada
De alguém que queria se livrar
Do dia de sentir.

E você veio com esse gosto na boca,
Enquanto o outro você
Não entendia nada.

Você é tudo e o todo,
E isso faz os nossos desejos
Se transformarem em mundos.

Ela desmentiu,
E puniu qualquer forma de amor.
Já você contou e assumiu qualquer forma de transpor.

A roda gira,
E o canto pra lá do fim do mundo
Nos espera.

Na ponta da praia,
Encontramos uma casa para nós,
Cheia de prata e paz.