sexta-feira, agosto 21, 2009

natal

Dentro de mim
Respira fundo o peso do concerto
Entre o fatal e o natal.
Seus olhos contam quantas
Cores podem ser.
O amor quebra e replica.
Desmorona por ter.
Subtraio o vento insano do seu desejo
Cor de fantasma e forma devassa.
O vazio vem natural dentro do corpo.
Sangue corre,
E assume o poder da criação do ser.
Renasce amor assim,
Sem muito dever.
O querer vai junto com todo vendaval
Que forma o cheiro da chuva interiorana.
Gosto de terra,
Cheiro que arrepia,
E pele negra.

quarta-feira, agosto 19, 2009

sindicato do bar

comida ou lanche?
o bar tira no toquinho.
dá 5
e sou 6.
sou o último da fila
na piada do beijo
sem olhos fechados
e sem a boca.
para que beijar?
é o melhor do melhor gritar.
eu grito, sinto-me pouco fértil.
convexo, sou todo torto.
a porta se abre
e só vejo assombração.
quarto escuro, e por favor,
meu lanche é sem presunto.

via apiacás

Não tem nada a ver
Você com essa tara de ser triste.
Não resiste,
Persite a um canto de urrar.
Abram as cortinas
Que seu espetáculo
Não quer parar.

sexta-feira, agosto 07, 2009

maionese, suor e cigarro


licença concedida pelo autor para mais um “isto também é um texto”.
o famoso pretérito mais-que-perfeito para começar.

eu rompera
tu romperas
ele rompera
nós rompêramos
vós rompêreis
elas romperam!
matando o morto!

meu presente!
eu rompo
tu rompes
ele rompe
nós rompemos
vós rompeis
elas rompem
é repmor, é repmor, é repmor!

Que ela rompa,
e se nós rompêssemos?
ruptura e o caminho da cultura contra-cultura ou cultura cultura.
Romper o quê? Tem medo de que?
O caminho é só agregar. É como gozar na cara. Romper é algo muito caduco e antigo.
Tudo já está aceito, quem discute com você, rapaz?
Me sinto com um torcedor do Botafogo comemorando hoje o título carioca de 1989 no Humaitá.
Sinto o que o Caetano falou em é proibido é proibir. Sempre a mesma coisa?
Caduco, o urso.
De onde a arte se alimenta? A arte tem fome? A rua já foi. Ta aqui digerida dentro da barriga.
vamos ver se tem droga aí atrás.
eu quero ver o Vlaminck cantando na rádio Mayrink Veiga.
rejeição da perspectiva?
É o Cordão do Vlaminck na Mayrink Veiga saindo em pleno sábado de carnaval na avenida Rio Branco. Virgulou?
Bota aí rapaz.
Jovens skatewear vão até a rua Antônio Alarcon para um encontro numa lanhouse.
Falarão do Vlaminck? Pode ser.
Falarão do Rosenbrick? Pode ser.
Ou do Nietzche? Podes crer.

Os dilemas envolvidos na descentralização do hardware merecem consideração. Onde termina a tecnologia luddita e começa a tecnodependência retrógrada? Este é em grande parte uma questão de descobrir sempre o indefinível meio termo. Se Ned Ludd, criador do movimento luddita queimasse mais máquinas teríamos vasto emprego ou menos skatewear na prateleira?
É como a molecada descendo a ladeira e cuspindo pra cima.
Pra que tantas interfaces, signos e temperos?
É tudo a mesma coisa na mesma coisa e sentindo a mesma coisa. Arte em ir para o que não tem solução.

segunda-feira, agosto 03, 2009

francisco anísio e seu distúrbio faustaneano

Francisco Anísio é aquela promessa ou aposta que sempre temeu dar errado. E deu?
Com seus olhos espatifados com oríficios pouco delineados ele buscou a única verdade que sentiu, o plágio.
E o que sentem os habitantes desse super-gueto trancafiado por marginais malfadadas e bem dotadas de litígio?
Boate amazônica, Boate Amazônica.
Uma rima, grafite, arte, esporte e sua busca pela liberdade visual da falada amazônica legal. De sua essência incessantemente separatista basca ira ativa.
Cisco, como era conhecido, perdeu seu emprego de plagiador oficial dos livros do ex-vice presidente nacional, Marco Maciel. O seu caminho como mero escritor não-bastardo o transformou em imagens de mundos que só existem.
Cisco gritava:
-Todos oríficios devem ser cortados, sexo nunca mais, devemos nos livrar do biológico, corpo sem orgãos, já. Vote em mim ou nele, mas que seja já. Já foi!
Cisco desempregado voltou para sua casa cibernética e tapeou todos os dias com seu vício secreto de caminhante desenhista. E por lá desenhou durante 6 meses o seu maior caminho.
Rodou, rodou e rodou pelo lado externo da casa plagiada de um arquiteto sueco.
Seu dia-a-dia era caminhar em círculo, passando pelos mesmos centímetros de grama, criando um vácuo contido de sentimento e cor.
Rodou, rodou e rodou. No segundo dia já sentia espamo na lingua resultante de um ruminante paladar descontrolado. O que sobra? Vômito delirante.
No décimo sétimo dia, Cisco já andava em seu desenho com o nível do chão da casa em seus joelhos, ele apenas ressaltava sua falta de escolha e o amor incondicional sobre o plágio.
-Pegue suas próprias palavras ou as palavras ditas para serem as próprias palavras de qualquer outra pessoa morta ou viva. Você logo verá que as palavras não pertecem a ninguém.
-Um disco de candomblé e o cyberpunk café. Qual será a verdade?
Calma aí, eu posso interagir com você? É internet? Eu posso gritar com você, francisco.
-Cisco
Como queira, cisco, de minissaia e minidéia eu rasgo você e digo mais.
A evolução dialética acabou, Fausto Fawcett acabou, Pelé acabou, John Lennon acabou, o download acabou, agora a história é outra, baby.É straming, baby. Streaming Streaming Straming.
-Fuck you mister R. A loirinha bombril ou juliette, filha bastarda do carrosel holandês, tanto faz ou fez o. A rima é feia e o plágio é de todos nós.
Ok. Já no trigésimo dia, Mr. Cisco contava e recontava seus passos humilhantes sobre sua família nata.
Papo de samba, ou loirinha belzebu, o círculo é o mesmo e o fado contagiante.
- Santo plágio, santo plágio, minha mulher sua fodida, leve hoje as crianças para aula de audivisual. É audivisual, é audivisual?
Chicão já repetia tudo. Massante massante e o mesmo o mesmo.
No meio do caminho, três meses, Anísio já cantava seus maiores sucessos de Chico Buarque.
Mas esqueceu de qualquer uma que falasse de boate. Boate amazônica meu querido! Boate amazônica!
Ele transcedeu o formato de ser e não estar, e girou pela última vez nos 3 meses restantes. Eram seis meses sem bom dia e bom pastor. Seu sangue descongelou e seu cérebro se enquadrou.
Roda gigante, sua casa o cercou e Francisco reinou. Dono daquele círculo, daquela gente, ele gritou e consumiu seu vapor.
Rodou redundante e circulou. Cantou e sorriu.
Cisco relutante. Cisco reluntante. Cisco empoeirado.
Cisco evaporado! Cisco evaporado!