terça-feira, julho 14, 2009

angu

Cego teus olhos
e não vejo nada nesse momento.
Meus olhos são pura brancura,
massageio meu ego com faca de cortar legumes,
rasgo meu peito
e torno o sangue meu sumo.
Lambuzo,
enfio os meus dedos nos olhos,
orelhas e boca.
Dilacero-me em pedaços,
me corto,
me fodo,
e espirro vermelho por toda parte;
Viro tinta e pintura.
Sorrio,
soco na cara
e final feliz.

sábado, julho 11, 2009

verde

O que falar agora
Se eu encontro viver devagar.
Eu quero ser contracapa,
Esquecer o poder.
Me libertar sem me socorrer,
E saber minha fé.
A felicidade.
E não importa que você
Esteja em outra calçada
De mãos dadas e ajoealhada.
Que corra a semana
Para gambiarra de domingo.
Eu, santo, capeta,
Grito!
Eu quero o esporro.
Ser para ser você?
Será?
Sabemos o doce das mãos,
Meu vento é seu, e
Nosso olhar molha o horizonte
Em pares.
O ar da imagem,
A saga do ser
E o sorriso dentro do meu.
Tudo que você podia ser,
Sem medo.
O exagero é tapa na cara.
A capa e o corpo.
Gostosa sacola com semeadura,
Em contrateste se mente?

quinta-feira, julho 09, 2009

cinco anos no dia dois

Baixa d´agua,
Ficaria pra sempre
No seu futuro
Como se eu fosse são.
Gostoso experimentar,
Será você?
Sem recado,
E sem vontade de voltar.
Abraça logo um cara
E diga logo para mim
Para me dar assim
Muito além de dentro.
Espero ficar sem você.
É o nosso momento
Você, o mesmo.
O amor nos fez
E me tirou a cara de tanto.
O rio em julho congela,
Corro em copacabana,
E me mostro onde estou.
Você é um encontro para uma letra.
Para sentimento.
Para ser cor.
Enquanto eu não delato
Esse objeto japonês
Há duas vozes
E nenhuma me aproxima de você.

quarta-feira, julho 01, 2009

diário de junho

Vou correr. Estou pensando você. Um amor de carnaval em plena festa junina é raro, porém com a gente é assim, é fogueira e é quentão. Subestimo meu passeio, entro no parque e começo a retalhar cada compasso de vida que me passa. A menina caminha falando no celular. Os dois aposentados comentam sobre a vida pós-viuvez. A bola rosa da criança rola em minha direção e chuto sem muita precisão. Ok, nunca tive muita noção de minha força, a bola vai parar do outro lado do parque. A astronauta passa por mim com tantos efeitos, pratas em seus equipamentos e seu patins supersônico. Vai cair, tomara. Seria o justo para tanta produção. O celular volta a passar e termina com a frase “Ele jura que não fez”. Ah, eu também não fiz, juro. A bola já está por voltar e a mãe agradece timidamente com um: "obrigado moço". Vou correndo e passando, voando pelo aeroplano. Por ele vôo sobre minha marginal. Ah, se todas fossem iguais a você eu seria o cafajeste que você sempre pintou. Tem sorte que eu não pinto e você é só você. Seu patins, essa perna toda machucada, fodida, mas com alguns campeonatos de não sei o quê que você já ganhou. Não é por falta de vontade, mas esqueci o nome. Porém que é única é. Essa enorme tribal, macia, gostosa, sobre, sob, sobre. Declaro esse amor, e é pra já, o parque já está fechando e é uma onda ser moço.