quinta-feira, abril 30, 2009

demo rá

Eu pinço a boca
E puxo o sorriso
Se vou à louça
Prego logo seu bicho
Te empurro e empanturro de dedos,
Te lambuzo e o que for
Desejo.
Se for para ser e será
Te dou logo um beijo
Com esse samba patatá
Menina, menina, meni ná.
Salgada a boca eu enveneno,
Tiro da roupa
E tenho pouco senso.
Sinto a sílaba
Da roça não vista
Que quero me dar.
Demorará, demorará.

sexta-feira, abril 24, 2009

o meu é crédito, por favor.

Ela começa a bater
E quebra inteira.
Nua, negra
Sem ritma e pistão.
Muda nela
Nada muda
Quase mela
Com sotaque de odor.
Será mesmo a cabeça?
Duas notas, fodeu.
Há alguém à espera.
Trincheira de vozes,
Soco no ar, espírito comum.
Sai do corpo e melo.
Meu corpo branco,
Escova a dentina.
Bailarinas por toda parte,
E soco no escroto.
Para que pesar entre as pernas?
Duas notas, rendeu.
Caído rola entre a boca.
Rosa, rosa, rosa.
Escorre em meus seios,
E perco a memória.
Temo e você teima,
Quem güenta?

domingo, abril 19, 2009

samba fela da puta

Sua bicha louca sem tamanho
Sabor de Llosa, Garcia marquez e seu borges.
Medo de latinidade
Compasso e cabaço
Regaço o ragazzo.
Sobre o rei
Sou redentor.
Arrebato e traio
Chuto pra cima o odor
Guitarra desvairada de merda
Sem pudor
Consome o sumo
Saco cururu
Medo de quê?
Ai ai ai Vanessa da mata.
Vanessa tem razão, lobão não.
Papinho, papinho
cai em qualquer falta de expressão,
o bom gosto tem razão.
Prato cheio e bola redonda
Branca e pesa nela
Cabeça dura na janela
Olha o copo.
Explode,
E de cabeça sai biquínis, bundas
Um monte de onda tatuada e deslavada.
De rodinha em rodinha a testa se quebra.
Rola como um espartilho sem expressão.
Sem sambar tem razão.
Menina pobre e feia,
O sol cansou de você.

quinta-feira, abril 16, 2009

cometa ou felicidade

Tantas vezes São Paulo,
Capiau e normal.
Sinto a umidade comprimindo meu ar.
Lágrimas caem e correm
Uma de cada lado.
Desenham em meu o rosto o susto.
Descem em meu peito em um só caminho,
Como um rio que passa em lugares outras vezes
Vistos apenas por risos.
A vida continua, pranto contido,
E o alívio rompido.
Lágrimas desaparecem, desobedecem e morrem.
É hora de abastecer, nem se for para gritar.
Solto a voz, mas agora que seja na rua,
Nessa nudez
E nesse cheiro de amar

sábado, abril 04, 2009

paciente 726

Senha 726, um chamado,
Corpo doendo e perna inchada.
O sistema nervoso de um gigante
Se titubeia e cala.
Se entope e vira veneno.
Uma trombose Venosa Profunda à procura.
Pega-me aqui, pega ali.
Me sinto pequeno e sozinho.
"Por favor, 726, sente-se nessa cadeira"
E assim vai descendo a procura da tromboflebite profunda.
Acha nela quase ela.
Uma cirurgia, uma rack, um sorriso da enfermeira.
A coagulação me compromete e me mete.
Meu pulmão foge, sai de perto.
A embolia pulmonar pode ficar pra depois.
O medo, a cadeira, a roda.
Escorrego e me deito.
Vejo luzes claras, estudantes por toda parte
e a cara constante de dor a me olhar.
Médicos correm e me olham, me guiam.
E eu com vontade de construir qualquer choro.
Cirurgia agora não, sai de minha veia amor medonho.
Cubro-te de um pouco de raiva e um pouco de dor.
Minha perna pesa, mas isso aqui dentro ainda explode.
Como pode deixar uma intimidade por qualquer fio.
A minha não, prefiro que nunca tivesse sido.
O medo reconstrói, e eu sozinho nessa cadeira reclamo:
- Me desculpe enfermeiro, eu deste tamanho e você carregando.
- Me leve para os fibrinolíticos, mas sem anestesia.
Ultrasom, raio-x, tempo, imensidão.
O hospital se cala, a morte passa por meu corpo.
Um medo de morrer meus pés esfria.
A vontade é gritar, embolia pulmonar?
Não. Cumpro com qualquer ativo que posso ser.
Sinto que sou muito e não pode ser.
A assassina da intimidade está por aí sendo enganada,
Cai em qualquer papo.
Meu papo dói e me sinto infeccionado.
A resposta é clara, tvp não, agora não.
Vou caminhando contra o vento,
ouvindo mano brown falar de poeta,
Jesus Cristo, Marvin Gaye, amor, vadia e tudo que interessa.
É, tem que ser paciente.