quarta-feira, março 19, 2014

café e flores

Estou cansado de me perder no tempo. Sinto o mau gosto de chafé na boca. O cigarro e a luz acesa. Porque as coisas não se dispõem em minha volta como um amontoado de areia, sem me dar o trabalho de ajeitá-las em ordem ou descaso? Sei o que fazer, mas não faço. Ruptura é um negócio danado. Não sei explicar bem, mas no momento em que eu agia, o que estava a fazer teria consequências fatais. A cinza do cigarro deixou vestígios e as marcas naquele corpo são minhas. Mas é perfeitamente inútil ser pedante. Eu pensei nisso. Mas tudo ficou pelo caminho, como uma trilha perfeita para encontrar o assassino.  Estou olhando com desconfiança para esse quarto dilacerado. Quanta fúria poderia compor meu corpo. A julgar pelo que eu digo, teria pensando antes: isso muito me espanta. Não posso convencê-los. Quero só irritá-los com frases curtas e monótonas. Poderia cingir estes versos no volume mais alto. O que nos resta fazer agora? Um corpo no chão, sangue, uma trilha enorme de tabaco e outras quinquilharias. Meus dedos estão estalados na vidraça. Não vou mais agir. Conhecemos algumas razões para viver? Não estou, como ela, desesperado, porque nunca tinha esperado grande coisa de mim. Conservo a cabeça baixa. Calo-me.