terça-feira, outubro 28, 2008

meu vitral

Em meu quarto resisto as mudanças do meu tempo.
Um velho sofá amarelo de marca desconhecida, esburacado e perverso;
No centro, uma vitrola alemã, com um velho disco de Beto Rockfeller, não menos furado que o sofá. Ele progride em círculos com a energia de grandes pilhas mal encontradas hoje em dia.
Na parede, o quadro do John Lennon é o mesmo dos últimos verões, e o meu amigo de Liverpool não passa por minha vitrola há muito tempo. Talvez Peter Peter Crouch, e sua feiura inglesa atraia mais meus olhos. Esse negócio de futebol não dá bola. Não rola e nem sacode.
Tenho resistido e sentido.
Meu pão com manteiga, meu qualquer desiquilíbrio.
E ainda me perguntam se faço versos.
Bárbaro e mortal, só se for verso do inverso.
Eu vivo dos versos e no verso,
Minha imaginação me cria e consome, e assim vou.
Minha alma só sabe uma língua, e ela tremeu, gemeu e gozou.
Inclua em mim seu texto,
Encontre em seu desejo meu beijo.
Saiba que em transe, como você.
Chupo de todas as dores, o amor.
Esses quentes lábios, os grande e pequenos.
Se for para falar de verso, vamos nos lambuzar e nos criar.
Procriar, não?
É o gosto da novidade e o cheiro da flor.
Esse Manacá aqui do lado me massageia, enquanto a lagarta o consome.
Mas parece que gosta. Gosta de ser comido.
É o prato do dia, a comida.
Seja como eu for. Minha cabeça torna. Como nos jogos de carta.
Desce ou sobe?
Prefiro descer. Até mais.

sábado, setembro 27, 2008

um ponto

Quem quiser comprar uma morada
com frente para Santa Rita,
fale com com o capitão Da Silva,
que tem ordem para a vender.
E por favor, sem pressa.
Olha a gota que falta
pro desfecho da festa.
Qualquer desatenção condena.
Na manhã um novo amor
Entrelaçado ao meu corpo,
de manhã, esse chão que entrei.
De gota em gota o eco ao longe repercutiu,
embora dissesse que sim,
receosa de onde pudesse vir,
e por sorrir.
Sua imaginação acaba
Dentro de mim, dentro de mim.
Cuidei que fosse mais cedo
para assim, ser.
Tem gosto de selvagem,
sorriso suave,
é de matar de tanto me sorrir.

segunda-feira, julho 28, 2008

que me perdoe domingos

Tu gostas de ver-me expirar
Não tenho que me apressar
Já vai me calando as veias
Teu veneno de agradar
de me revelar você.

Quando não vejo os teus olhos
sustento esperanças
Vou sendo devagar.
Para não machucar, para apenas toca-la
e beijá-la.

Já não lhe posso escapar;
desculpe se por vezes pareço obsessivo
mas sei o gosto que tem
a forma que faz
e refaz.

Essa sutileza direita,
estreita estranheza
lisonjeira esperança.
É o desejo
que me orienta

Se um raio da razão
seguisse sua enorme formosura.
deitava sua cabeça em meu peito,
fechava seus os olhos
para ser teu sol.

quarta-feira, junho 25, 2008

Dia primeiro

Em janeiro de 1922, os Batutas estréiam
No cabaré Sheherazade de Paris.
Com China e toda rapaziada.
Nesse ritmo do bom, em clima de rapé.
Escute aqui, Leonor
Os sussurros que eu lhe dei,
Que aos teus ouvidos,
Querem dominar,
Desculpe pela impureza, pela crueldade,
E toda ousadia.
Escute aqui, Leonor
Seu sorriso, de mulher formosa
Esse seu jeito todo dengosa
Traga para aqui um pouco do seu beijo.
Perdão, Leonor, se manchei seus lábios.
Perdão, Leonor, para um desaforado.
Se vou ser preso por te roubar, se plagiei por querer
Eu quero mesmo é ficar com você.

Ele


ele vem lá do japão
vive no meu john lennon
me aburrece por vezes
tem cheiro bom
pele macia
e encanto de saudade
vive lá pelo cerrado
mas que tanto faz
meu amor, nosso amor
com São Paulo ou Roraima.
onde for,
Sinto cada pedaço
e deito meu rosto
naquele poço
naquele colo
só pra encostar
e sonhar
sinto na verdade, muita saudade
e não gosto nem um pouco de rimar
principalmente com algo
que termine em ar
mas pra te falar
é o mar aqui dentro
é yemanjá
que goteja junto ao meu peito,
sangra,
e me leva embora,
onde for mar
onde a glória conquista, onde o peito carrega
onde na marina acalma-se,
e meu barco
atraca-se lentamente

segunda-feira, março 31, 2008

1º andar

sinto esse vento cigano.
viro a fera que me carrega
rego a dor dos meus sentidos
do meu tímido poder quase puritano
onde a anta que me carrega
onde sou forma, e me empresto.

interrogo a forma que me candeia
transo o transeunte que me rega
rindo, sinto a forma.
formo de quantas formas quiser.
quero de qualquer coisa a forma.
a malícia, a pele preta.

interesse em amor?
interesso ao amor?
sou filho do objeto dele,
da minha causa dou-me o efeito,
o receptor eu mato,
quero é poder.

meu poder,
ímpeto do meu desenvolvimento
vou no meu fim
mexo, cheiro e aliso,
a pele, o sexo, o amor, a malícia.
com elas eu vou
até o 1º andar.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

reparo

Listando - Ismael Silva - Antonico

E o olhar que me encontra destemido
Puxa para o peito
Puxa, e esfrega cada pedaço de olhar.
Sente, cheira, rebusca cada forma de pensar,
E se for para chorar, penso pouco.
De nadar em corpo, franja ou pele.
Peço socorro. Sinto falta
Mastigo meu corpo.
Mordo cada pedaço, sangro e ainda repito.
Forma de dizer, testa coberta e cabelo escuro.
Se for pra dizer não, digo agora.
E o sorriso guardo no meu peito.
Qualquer peso, qualquer mordida, qualquer sonho
Está aqui dentro.
Rosa amarela
Voz de todo grito
Gosto tanto dela assim.
E é com esse som que eu vou.
Com cheiro de quarta-feira.
Com muito cheiro de amor.
Que cada abraço e braço me aperte
Que sinta abraçado enquanto sou traço
Enquanto imagem,
Sou.
Vou além de qualquer reparo,
E fico aqui
Olhando seus olhos, atravessando seus cabelos,
e procurando você.
Agora dou um beijo, e é para sarar.
É de boa noite
E a alma,
vou dar para você viver.

sinto muito

Listando - Moacir Santos - Coisas nº 5
Para o limpo.
Lapso para. Pula língua. Parágrafo.
Pico o texto. Deixo-o todo contado.
Visualmente fico feio, mas poderia negar?
Como ficar feio?
Mais ou menos é medida?
Característica da república.
Sinto muito meu amigo, restituo seu minto.
Maquio a falta de rima
E me jogo em cima da sua.
Sou assim mesmo. Faço da rima o mesmo o mesmo.