terça-feira, janeiro 13, 2009

mas se você soubesse


Pernas compridas, pele branca,
Sorriso vermelho, detalhes por todo rosto
Olhar fulminante, e mulher de sr. Sóremi.
Sr. Sóremi que aos 14 anos a conheceu, amou,
e depois morreu.
Se tornou dor, tristeza e ódio.
As 4 da manhã era hora de sua chegada,
ele possuía uma faca, mas não a usava.
Preferia não ter o trabalho de buscá-la,
e ali mesmo assombrava as noites, matava o amor.

Na manhã, sempre inquietude,
e ao mesmo tempo, o silêncio.
Com o amor espancado,
Sr. Sóremi, satisfeito, ia para o trabalho.
Ela juntava cada pedaço de pecados e ilusões.
Aquela boca não era mais só para beijar,
guardava sua vida, sua dor, e sempre estava borrada.
Se sentia morta, frágil, arranhada com o amor.
A frustração a satisfazia,
o período é de esperar a morte.

Olhar a grama, as crianças pelo jardim,
e o gramado amarelado em frente a sua casa,
era seu calmante. Sua forma de respirar.
Sabia que dentro de tudo isso,
resistia o sentimento. Resistia sua pessoa.
Com mais de 30 anos, ela se esquivava de ser feliz,
sem deixar dirigir sua vida,
era já noite, e as 4 da manhã já estavam para chegar,
ela já sentia dor, choro por toda parte, mas deitava,
quieta, escondendo cada forma de tremer.

E o momento das 4 horas da manhã não existiu,
o silêncio calou toda dor,
os pássaros mais apressados já começavam a cantar.
Ela não entendia, chorava.
Sentiu uma mão eu seu rosto,
carinho em seus cabelos, um beijo em seu queixo,
pequenas mordidas pelo seu pescoço.
Desabotoou levemente seu vestido,
consertou a fisionomia,
Continuou a despir-se e, enquanto isso, ele não deixava ser apalpado.

Ela sentia vontade de explodir,
se transformava,
até morreria, mas nua no prazer.
Sentia agora aquele corpo,
grande, espaçoso, peito enorme que a afogava.
Boca macia que a comia por toda parte,
ela o sentiu, porém não quis explicação.
Acordou, sorriu,
e se levantou
pela última vez.

sábado, janeiro 10, 2009

o movimento

O vento,
liso e que constrói esse corpo.
Esse lábio
que me faz desmontar.
Entra dentro de mim todo seu poder
de ser beleza, de ser vento.
Bem baixo, sinto tormentas de ciúmes,
Ventos irmãos presunçosos.
Euro e Zéfiro
Rebatem, sacodem e caem.

Sinto o cheiro indo embora.
O gosto do esforço
e a areia em meu corpo.
Sinto-me como no encontro de Eolo e Iansã.
Pele quase vermelha,
deusa dos ventos e tempestades,
sinto o tocar de seu corpo,
um breve sussurro,
E deitado assisto todas as cores mudarem

Qualquer um seria bobo
de não se apegar.
Qualquer jeito, uma forma
e pele morena.
Sinto uma força,
um corpo.
É cheio e tem jeito.
Passa a vida, passa o ar,
e dentro de uma vida
vejo o tempo formar.