quinta-feira, maio 11, 2017

espaço

Vento na têmpora. Treme pelos lados de lá. O homem fugindo da batalha caminha desdenhando do céu. Teve um descontentamento ali com os astros, com o afeto. Romper sempre é um processo difícil. Caminhou entre bombas – mentais, espirituais e reais. Soube que seu país era atacado por uma questão que não tinha a ver com sua vida. Era uma briga entre o poder e o poder. A comoção internacional existia só para vender tempo. Seus olhos estavam ali sobressaltados, como vieiras prontas para um prato caríssimo na Place Louis-Armand. Soube recentemente das últimas eleições naquele país. Não entendeu nada. As pessoas, pelo que parecem, já são comprometidas com o que vai acontecer. Laracha. Ele continua a não entender as coisas e visava os astros que antes não se entendia. Ao caminhar, deitou-se sobre aquela areia grossa, seca, mas com jeito de canseira. O corpo, ainda quente pelos galopes e chicotes, adesivavam cada partículas daquele chão imundo pela tristeza. Aspirava o poder ao mesmo tempo que imaginava o pleno viver. As costas ardentes de labutas auspiciosas estavam a esfriar o grosso suspiro. Da visão de seu pequeno rosto, o homem amedrontado escutava o pulsar do céu. Conseguia ver o entrelaçar das estrelas, dentro daquela enorme e impactante escuridão. Via o futuro, apesar do desaparecimento de cada ente. Enxergava a vida, apesar da possível morte. Dentro daquele estreito campo de visão, ele vislumbrava a temperatura dos tempos, os sons da explosão, os gritos dos povos. Naquele curto espaço de tempo, ele conseguia sentir as tempestades futuras e os erros passados. Com que tempo passamos? Como respondemos essas questões? No interior dos seus ossos acontecia um misto de desilusão e otimismo. Cabia um tiro em seu vão?
Com o peito encrostado no céu, com as costas inundadas na terra, o homem entendia diante de si o planeta. Sorriu e chorou. Sua vida nunca chegará ao fim, queira morrer ou viver.  O infinito sempre será o exílio acompanhado de licores, conhaques, tabacos, sujeira, correria, explosão e sonhos.