quarta-feira, julho 13, 2011

para se sentir mais perto de itamar assumpção

Com um cocar na cabeça e cantando Boa Noite, de Djavan, Itamar Assumpção se despedia do lugar onde transbordou todos os desejos de fazer música preta, brasileira e para todos.

Mais que um intérprete ou compositor, Itamar soube como ninguém domar o mundo perigoso que poderia ser o palco.

O documentário "Daquele Instante em Diante", de Rogério Velloso mostra isso com enorme capacidade. Estamos dentro e fora do palco de Itamar.

Sentimos quase na sua pele, numa sinergia de sensações, a dificuldade de ser Itamar Assumpção, em ser o primeiro e único artista popular a bater de frente o tempo todo com a indústria cultural.



Na pele do músico


Com Itamar não tinha meias palavras, só se essas pudessem ser transformadas em música.

O filme mostra a maneira dura e franca que ele tratava o público que o atrapalhava, e coloca frente a frente com seu amor pela natureza e família.

"Devia ser difícil ser Itamar Assumpção", sentencia Suzana Salles, vocalista que o acompanhou por quase toca carreira, em um momento do filme.

E realmente não foi fácil. O músico levou um estigma de "maldito" reducionista. Quem era o sucesso? O sucesso era Itamar Assumpção, como o mesmo disse.

Para dentro da sua banda Ísca de Polícia, ele levou suas diversas referências.

Nascido no interior de São Paulo, em Tietê, Itamar cresceu em Arapongas, no Paraná, e foi se recriar na capital paulista.

Uma bomba de emoções e situações. O homem caçado pela polícia resistia, mas também sentia. Sentia a dor que era ser Itamar, preto, Djavan, Roberto Carlos, Milton Nascimento e Ataulfo Alves e todas suas influências.

Sentia a amargura de um país em constante debate e repressão.

Itamar representava, no fim, todos. Era dono de uma capacidade de transformar qualquer coisa.

Orquídeas de Itamar

Cuidar das plantas era um de seus hábitos favoritos. E sua grande paixão eram as orquídeas.

Uma planta tão diversa quanta a própria carreira de Itamar, as orquídeas existem em quase todas as regiões do mundo e são altamente adaptáveis.

A paixão pelas plantas nomeou sua nova banda, um verdadeiro orquidário com

Tata Fernandes, Miriam Maria, Renata Mattar, Nina Blauth, Lelena Anhaia, Clara Bastos, Simone Sou, Geórgia Branco, e Simone Julian.

A banda Ísca de Polícia deu lugar às Orquídeas. Um novo momento e um Itamar em sua busca eterna pelo que há de mais precioso. Assim surgiu a trilogia "Bicho de 7 Cabeças".

| O grafite pelas ruas de São Paulo mostra a reverência pelo Nego Dito |

Um filme completo

Mas mais que mostrar a carreira do músico, passo a passo, o filme vai levando o espectador a acompanhar a história numa literal conversa na cozinha.

O cafezinho é o guia central desse papo, que vai delicadamente delinear os processos de vida do músico.

É ouro preto, como Itamar é para nossa música. E desse caminho passam depoimentos de grandes parceiros, como Alice Ruiz, Arrigo Barnabé, Luiz Tatit, Ricardo Guará, e inúmeros músicos que acompanharam Itamar.

As filhas Serena e Anelis Assumpção, acompanhadas por Zena, viúva de Itamar, mostram de onde vem os alicerces que sustentavam tanta fúria e amor.

"Sem a família, ele teria enlouquecido", diz Anelis em momento do filme.

Itamar não enlouqueceu, teve sempre a família por perto, passou os momentos difíceis com sua doença e a levou para dentro do palco.

Elke Maravilha, toda de branco, interpretava a morte. Itamar dizia: "Ainda cedo".

Uma imagem rara de alguém que não poupou ninguém no palco. Sair ileso de uma apresentação de Itamar era impossível.

E Rogério Velloso conseguiu o mesmo com "Daquele Instante em diante". Inesquecível e impecável.

O filme que abriu no dia 08 de julho a série Iconoclássicos, do Itaú Cultural, vai ficar um mês em cartaz em sessões com entrada franca nas salas do Unibanco Pompeia, Augusta e Frei Caneca, além de Curitiba, Fortaleza, Rio, Salvador, Santos e Porto Alegre, com sessões grátis em horário nobre.


Texto original: Natura Musical

quinta-feira, julho 07, 2011

da colômbia para o lado de cá

Tirei meio certo.
Decerto era o decreto
Que trouxe nesse retalho de papel.
Deserto ou perto.
Foi apenas um pedaço.
O correto.
Entro no concreto.
Sinto-me secreto
E não nego.
Parece,
Mas carece.
Se sei o que pensa nesse mundo,
Sou mudo, calado e confuso.
Contudo,
Declaro e dilacero
Seu riso com os braços
Nos seus peitos.
Escancaro o meu medo
E mostro seu jeito.
Me sinto esperto.
Na falta de mastigar,
Instigo seu berço.
Sei o que você herdou,
Porém não sei o que encontrei.
Hora do apreço e aperto.
Todas nossas mãos juntas
E um longo adeus.

quarta-feira, julho 06, 2011

o mar de são paulo
não é assim tão distante

O clarão?
Não.
Branco como cega,
Nega.
Entre, por favor,
Andor.
Adorar porque
Se o mar não tá
para gente.
Urgente!
Trovão nas areias.
Sossego..
A porta principal natal
Está no caminho.
O ninho...
Agora para com esse negócio.
O mar não está para ócio.
Sirene!
O mar está para peixe
Mas deixe o que quiser.
Se não vier,
Não estrague.
E se quiser,
Espalhe!