segunda-feira, novembro 05, 2007

Sobra-me.

Listando Milton Nascimento - Nuvem Cigana

Aldeia morta na beira da vida
Grão de ferro batendo como dentes.
Perto do seu corpo, aprendo.
Esse dia, sempre o mesmo dia,
Que a noite não apaga,
Onde o dia transa com a noite
E nasce nosso mar.

Portão de ouro, solidão.
Que o sol do Japão volte ao mar.
Que toda sua mão volte a me tocar.
Que faça os quês precisarem menos de quês.
Agora, sem ninguém na porta,
Sem ninguém para eu conquistar
Me torno vazio em seus laços.

Agora sal
Agora sol
Agora luz
Agora só.
Sombra em mim
O que sobra de mim.

terça-feira, setembro 18, 2007

morena

Morena dos olhos jaboticaba,
doce fanfarra
cor de navalha.
corte o beijo
sangre o desejo
sinta falta do seu medo
goteja cada pedaço de seu beijo.
mas não me olhe assim, morena.
não adoce mais minha boca
com seus olhos meus.

quarta-feira, julho 04, 2007

Recanto

Listando - Gilberto Gil - Sandra - 1977

Vou pedir uma canção para ela
Onde possa morar dentro dela.
Onde de manhã água pode ser um vício
De beijo na boca. De sentir o passado, o nosso ontem.
Da estréia ao último encontro.
Do fogo à minha água.
Onde babo e tenho sede.
Onde tomar café se torna um vício.
Assim jogo qualquer forma de erotizar meus vícios para bem longe.
Forma anti-erótica, não feita de lama.
Então, só vou deixar meu coração, a alma do meu corpo, na mão de quem pode
E pra começar eu só vou gostar
De quem gosta de mim
Não quero com isso dizer que o amor
Não é bom sentimento.
Amo.
Retorno. Recordo. Retorno. Sinto.
Não minto, repito.
Mexo seus olhos, levanto seu corpo, esfrego-te a mim.
Mastigo, engulo cada pedaço de seu corpo.
E se for para refletir, eu sinto todo meu.
Para meu, o seu.
Para o inteiro, o amor.
Para dizer que é tão triste, vê
Esses olhos que foram tão meus
Longe de mim.

sábado, junho 02, 2007

Só se for doce

Listando - Milton Nascimento - Cravo e Canela - 1972

Arraste a canoa
Suspire em minha boca
Deseje meu beijo
Sustente meu corpo
Suspire minha língua

Afague meu corpo
Amarre um barbante
Sustente essa dor
Abaixe meu braço
Lamente meu medo
Abrace meu corpo
Carregue o amor


segunda-feira, maio 28, 2007

Me enterro mais

Listando - João Donato - A paz - 2007

O feito.
O jeito de olhar para você.
O brilho que só eu posso ver.
O gosto de você
O gosto doce docê.
A paz não invadiu meu coração
Arrancasse meus pés do chão.
Onde eu já não me enterro mais.
A falta do meu coração.
A dor em dizer não.
Em si sem saber assim
Em sim dizer não.
E não o fim.
A contradição. A paz
O sermão. O fim. A dor.
O Amor. A paz sem fim.
Em mim recanta a borboleta,
Meu presente que sufoca meu peito.
A boca que escapa de mim,
Minha boca que foge de mim
Pra lá do mar
Onde ele arrebenta
Onde qualquer cor for lilás
Onde a separação não traga a paz.

sábado, maio 12, 2007

Hip Hup

Listando - Djavan - Serrado - 1978

Hipoteticamente
Hipo Pot Omo
Omo Hip,
Bop Bup,
Bip
Hip Nique
Náusea
Mouse, Musse,
Dulce.

Traga o trago que
carrega-te.
Rega?
Rego, minto.
Sinto, basto?
Hip Bup Hop, Níti
Kant, Xop,
Nhauer. Hall.
Toldo All.
Agora?
Mente sente.
Saco, paro,
Respiro
E
Infarto.

Farto?
Morte.
Hipótese.

segunda-feira, maio 07, 2007

Cenão

Listando - Baden Powell - Só Por Amor - 1968


Se eu
Pró nome
besta eu
besta você
Eu, você,
basta tu.
Vocal, cê
Se não. dê.
Docê, não
não dê dó
domine nós.
se eu seu
se eu sei
sei não, sei
sei não, vê.
Verão, meu
Meu eu, seu
Seu não, meu.
Meu seu,
Nós

domingo, abril 15, 2007

Sentido

Listando o que for

Uma tarde nua e escura. Um canto chamando. Um tanto quanto branco, Lobo guarnece seus últimos cantos, um canto para cada passo. O caminho lento, os passos curtos são reflexos de sua universidade, ele não sabe caminhar por terras tão longas. Sim, reflexos.
Senta em sua cama, no canto direito sempre, vale lembrar que ele é muito supersticioso, coloca seu sapato enquanto cantarola muito mal “I want you,
I want you so bad”. Mesmo ruim de escola, se amarra em beatles. É questão de reflexo. Morria de medo do tal do Walrus. O John me deixa com medo também, e em você?
Segura sua sacola de doces e sai lentamente, em passos curtos, cheios de vírgulas, cheios de intenções. Lobo vivia de intenções.
No seu passo lento ele procura as chaves nos livro de mamãe. Tinha a mania de esconder as chaves em livros. Ele tinha dezenas deles, mas nunca soube ler muito bem.
Em recado ele acha:
- Sinto falta do meu amor,
- Meu amor sente também.

Esse era o seu livro favorito, o Amor. Além de vírgulas e pontos, adorava amor.

- Vê-la tão livre me faz buscar
- Sua liberdade,
- Mas não quero prendê-la.

Lobo era ligado nos pólos, coisa do reflexo. Sua mente era em forma de cálice.
O chamado chega, os cadarços de seu sapato se desenrolam, senta na cadeira de mamãe e os arruma, delicadamente. Tinha um dom especial com as mãos. Coisa do reflexo. Mãos e bocas fortes.
Uma mordida rápida na mão e se levanta. Passa pelo espelho, pára, arruma a boca, e continua sua procissão fundo abaixo. Coloca o amor na porta. Pára e volta. Tinha muito medo, sua mãe havia dado esse nome, Lobo. Era primeiro Nome. Lobo Francisco da Costa Xavier Nobilis. Mas era pouco guará, pouco só, pouco nó.
Lobo deixa escorregar suas costas lentamente na porta, vai sentando devagar e em pranto tem desejo que ninguém mais toque no seu amor. Em pranto ele segura nossa mão.
Em seu último dizer:

-Esgoto todo prazer do meu gosto, logo gosto.
-Gosto de semear meus sentimentos
-Em dia com a fé
-Eles ficam bem.
-Talvez não me sinta pai, nem mãe.
-Um pedaço do meu peito sangra
-Em dose.
-Sinto que os pontos me atraem
-No domingo penso em você.
-Só domingo e dormindo.

quinta-feira, março 08, 2007

Ela foi embora

Listando - John Lennon - Jealous Guy - 1971

Ela foi embora.
Não bate mais na porta.
E eu tenho choro e sei que ela também tem.
Vou explodir aqui.
Vou explodir nela.
As borboletas cresceram demais, minha Penélope.
Elas estufam meu peito querendo sair. Dói minha cabeça e minha garganta.
Quanto choro, quanta falta. Quanta.
Nem me queixo mais de quantidade.

Ela foi embora, escolhi uma trilha do John.
Seu som favorito é meu também.
Quero sentir. Junto. Juntos.
Vem me salvar.
Eu não quero imaginar que eu não posso te ver amanhã.
É algo muito doloroso.
Como assim?
Como?
Eu to ficando sem palavras.

Ela foi embora.
Pare em algum posto.
Junte algumas moedinhas e vai lá correndo no orelhão.
Me chame. Me toque.
Mêmê.
Eu estou engolindo minha dor, como diz John.
Mas eu não quero te ferir, muito menos sou apenas ciumento.
Eu te amo.

E você foi embora.
E eu tenho muito medo do que vou ter que passar.
Não quero passar por algumas coisas que já passei.
Eu sei que vou ficar só.
Sei que vou sozinho, onde quer que eu vá.
Eu tenho medo. As notícias me dão medo.
Eu não sei onde vou poder parar.
Eu tenho medo e você está muito longe para me dar um abraço.

Eu vou sentir falta de me sentir alguém,
De refazer, de reviver.
Isso vai fazer falta também.
Você é logo, objeto direto.
E vivo por você. Para cantarolar meu dia e minhas qualidades.
Se o problema é pedir, implorar, vem aqui, fica aqui.
Vamos até a sorveteria, lembra das moedinhas? Vamos usá-las.
Espero que o orelhão não tenha lhe roubado tudo.

Ela foi embora.
Preciso da voz.
Do mar.
Da mar.
Do amar.
Eu não quero te fazer chorar,
Mas preciso voltar a reflorar em sua pele.
Vem aqui, te prometo um beijo.
Sério. E não é para chorar.
Não sou apenas um rapaz ciumento,
Apenas te amo.

E com meus discos você pode cantar,
Ouvir minha voz, dançar.
A menina dança.
Você já é uma porção de histórias.
Um montão de momentos, felicidades e desejos.
Um montão que eu quero de volta.
Eu não estou me agüentando, estou com medo.
Por favor, me de um abraço.

Penélope, já é hora.
Você tem um filme seu.
Por ora, é sua hora de criar o seu.
Junte as moedinhas e boa sorte.
Eu vou dar a maior força daqui,
Sou apaixonado pelo seu talento.
Você sabe que é apaixonante e talentosa.
E vou ficar de bobão aqui, babando por tudo que fizer.
E não sou apenas um rapaz ciumento.

E também você pode ir até ao pipoqueiro,
Contar as moedinhas e lembrar que eu me amarro em pipoca.
E não se esquecer da nossa pimenta.
Nosso amor. Nosso sexo.
Oh Penélope, agora fale baixinho. Já é muito tarde.
Só eu, você e o John acordados.
Daqui a pouco vou lá na minha cama.
Dar um salve ao São Miguel e ao Miduru.
O John estará lá olhando pela gente.
Por toda gente.

E ela foi embora,
Você, ela.
Seu cheiro ficou nas conchinhas.
Seu cheiro é tão bom, seu abraço. Seu braço
Seu chorar, seu sorrir, seu beijar.
O seu meu.
Pois volte, Penélope.
Volte.

Eu não sou apenas um rapaz ciumento,
Eu te amo.
Vou explodir com sua falta.
Vou chorar o mundo, vou chorar você.
Vou ficar aqui te esperando, te sentindo.
Porque eu sei que você vai voltar, eu sei.
Melhor eu ir descansar, você sempre pede para eu descansar.
Porque se você deixasse falaria até esgotar a minha última lágrima.

É isso, a terra é sua.
Estarei aqui te esperando
Para virar e revirar os olhinhos
Para dormir comigo
E para sonhar.
Eu sou ciumento, mas isso não importa.
Eu te amo.
Um beijo.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Meu

Listando - Arnaldo Baptista - Desculpe - 1974

Há quem diga. Há.
Digo do digo do Sérgio Sampaio. O Meu meu, meu.
Sou meio, desculpe.
Desculpe se eu fiz você chorar. desculpe.
Me desculpo, mas não me oculto. Estou aqui, ainda posso colorir, virar olhos, sofrer, espirrar e cantar.
Ao mesmo tempo do meu tempo eu lamento o meu tempo no curto espaço de pensamento no curto espaço do meu braço. Revirgulo, revivo, remorto. Desculpe.
Esse blogo ninguém lê. Desculpe, Domingo, nem você. Sinto o barato de ser humano, de me sentir só nesse meio de mundo rodeado por mundões.
Meu meu, meu.
A gente já andou por aí, viveu por aqui. Você, Domingo.
Desculpe. Sem acessos você vai acabar. Resfriado. Esse frio que dá tanto calor, essa multidão que te deixa tão só. Desculpe-me.
Desculpo. Desocupo você de mim, sou eu e você, nós e mais ninguém.
Não foi para ser bom, você sabe. Reconhece.
Foi para pedir sua atenção.
Me dê as mãos, vamos sair para ver o sol.
As vezes lembro que sei do Português, mas logo esqueço. Essa de nação é fogo, eu não quero Botafogo, Sushi, São Paulo, Brasília ou perdão.
Não quero repartir ningúem, muito menos você, meu Domingo. Continuaremos assim vivendo nosso domingo, só eu e você, vivão e vivendo.
Desculpe, pois desculpo meu bem.

Vem aqui e me da um abraço.
Você sabe, Eu sou você e você é meu seu.
Desculpe.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Duas Horas da Manhã.

Listando- Paulinho da Viola - Duas Horas da Manhã - 1972

Meu rosto pertinentemente me traz o anti-sorriso. A dor que ficou de passar não passou por passar. Eu passo cada passo da minha dor. A composição da minha posição. Da nossa confusão. Ela, Penélope, talvez estivesse certa. Mas que certo, que certa. Nada certa. E não venha me corrigir corretor automático. To sem paciência. Sem por hora. Sem por ora. Sem por nada. Nada distingue. Nada de estilingue. É uma coisa que vai e fico só. Com saudade. Que dor. Ador. Adoro. Odor. Já são duas da manhã. Bem o nome de uma das músicas que lembro de ti. São duas horas da manhã. Minha cabeça salienta seu beijo. São duas horas da manhã. E ainda espero que seu telefone toque novamente. Nova mente? Não, não. Não quero notar minha forma de vícios, nem denotar meu confuso destino. A nota é sua. Você pode já ter tido razão. Da pena ao vale a pena. Onde for, globo sou. Sou global, do mundo. Sou da escrita onde imaginar, sou do corpo que desejar. Desejo. Desejo. Foi horrível. Dói, mas quanto dói. Se eu já te trouxe essa dor, tolo soul. Dói. Pois que a minha ontogênica Grandeza nunca vibrou em tua língua. Não te abandono mais! Morro contigo!. Morro no morro. Carrego como me rego. Regencio amor. Crio o que for para criar. Hora de dormir? Duas horas da manhã? Paulinho da Viola? Gal Costa? Meu sonho? Meu amor?
É, duas horas da manhã, e eu por hora.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Através do Universo

Listando - Beatles - I´m Only Sleeping - 1966

Não sei o que vou fazer com essa vontade de ficar comela.
Viro uma palavra, só.
Ela, Penélope, minha Penny Lane.
Penny Lane está em meus olhos, virando os olhinhos.
Brilhando sempre, refletindo em abraços.

Vou sentir muita falta.
E isso é o suficiente para fazer minha barriga ser invadida por borboletas.
Vou sentir falta. Por ora, menina.
Por hora eu fico. Não quero mais dormir.
Por favor, não me acorde, não.
Não me sacuda. Volte.

Sons de risos, sombras de amor estão tocando meus ouvidos abertos
Me excitando e convidando
Um amor incondicional sem limites que brilha em minha volta como
milhões de sóis
E me chamam para ir pelo universo.

Indo do meu sonho a minha excitação através do universo
Que é estar com você.
Como você, e como.
Como vou falar de saudade se você não vai partir daqui?
Vou continuar.

Ah menina, por ora.
Sacode-me.
Vira e vem.
Vem.
Tem um presente sempre esperando por você.
Ele é seu.

As borboletas vão subindo enquanto escrevo.
Elas vão caminhando pela minha garganta,
Eu tento morder, mas não consigo.
Como gosto de te morder.
De fazer você de dálmata.

Ah Penélope, Penny Lane.
Não queria ser apenas pipoqueiro.
Muito bom aquele texto.
Coisa de sentir você.
Em você

Ah, as borboletas escaparam de minha boca,
Caminham pelos meus olhos.
E não é para você pensar que eu esteja triste.
É só a forma dele, os olhos, lidar com a partida.
Parte não.

Parte-me. Fico quadrado.
Em retalhos. Mas você tem tudo para ouvir e sentir.
Todas minhas vozes são suas, meus olhares são seus.
Ah, as borboletas enchem meus olhos.
Quando a saudade vai, espero que venha.

O português meio confuso tem explicação, não é hora, por ora.
Afinal, esse texto não foi feito para ser bom.
Nem para você dizer que sou talentoso.
É apenas para eu ajudar as borboletas a chegar aos meus olhos
E ficar imaginando seus olhos
brilhando perto de mim.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Paraela

Listando - Carlos Poyares - Doce de Coco

Para ela,
por ela,
pois ela.

doce de coco,
mela nela.
nela mela,
meu doce.

Venho implorar pra você repensar em nós dois

Não demolir o que ainda restou pra depois

Sabes que a língua do povo é costumaz traiçoeira

Quer incendiar, desordeira atear fogo ao fogo

Tu sabes bem quantas portas tem meu coração

E os punhais cravados pela ingratidão

Sabes também quanto é passageira nossa desavença

Não destrates o amor

Se o problema é pedir, implorar, vem aqui, fica aqui

Pisa aqui neste meu coração que é só teu, todinho teu

Escorraça e faz dele gato e sapato

E o inferniza, e o ameaça

Pisando, ofendendo, desconsiderando

E o descomposturando com todo rigor

Mas se tal não bastar, o remédio é tocar

Esse barco do jeito que está sem duas vezes se cogitar

Doce de coco, meu bombocado

Meu bom pedaço de fato és o esparadrapo

Que não desgrudou de mim


Jacob Bittencourt e Hermínio Bello de Carvalho

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Sacode em mi

Listando - Tom Zé - Dor e Dor - 1972

Sacode-me, inteira em mim. Entra - mim.
Entre - mim. Entre-me.
Sou min, sou eu, eu sou amor da cabeça aos pés.

Seu olhar me ignora e simplesmente me molha.
Inunda meu desejo de chegar perto-te
Ter-te
Pensar em encostar um grão em gemer amores
Em saber que a dor é a maior das adorações.
A dor a ador adoro-te.