Mesmo que meus olhos se confundam com tantas luzes, apartamentos e edifícios. É difícil não se perder nessa vertigem e imaginar a seco o que está por vir.
Dentro do ônibus vejo o cobrador, com gestos gentis, ser o próximo a morrer com um tiro na cabeça. É mais um assalto, é minha cabeça revirada. O sangue escorre na catraca e fica seco.
O troco do alguém voa pelo chão, a moeda corre, desenha o diabo em mim, passa por todos e morre. É resto. É a morte dentro de mim.
Eu crio o inferno e gesticulo sem fim. O ônibus para e dou um salto para o outro lado da rua. Minha boa estatura me ajuda a pular por metros. Caio com os 2 pés na cabeça de alguém. Se ferir, reviro, mastigo e sinto. O vento corta meu rosto, mas não me estilhaça, sigo inteiro e sem contato com nenhum olhar.
Eu crio o inferno e gesticulo sem fim. O ônibus para e dou um salto para o outro lado da rua. Minha boa estatura me ajuda a pular por metros. Caio com os 2 pés na cabeça de alguém. Se ferir, reviro, mastigo e sinto. O vento corta meu rosto, mas não me estilhaça, sigo inteiro e sem contato com nenhum olhar.
Os cachorros não latem mais para mim enquanto passo em silêncio e apago minha sombra.
O menino do skate cospe na terra, e passa o pé por cima em clima de educação. Entendo o ranho arrastado, pisado e bem criado. Se for resto, que fique no pé de alguém. O lixo. Não esquento mais resto para o lixo comer.
Eu continuo inteiro, passo pelo sinal e corro até o começo da estrada. A hora de voltar pra casa é agora. Volto correndo, mesmo que um dia eu possa explodir em mim.
Eu continuo inteiro, passo pelo sinal e corro até o começo da estrada. A hora de voltar pra casa é agora. Volto correndo, mesmo que um dia eu possa explodir em mim.

6 comentários:
Ricardo, esse ficou muito, muito muito bonito! Sempre fiquei pensando do resto. Palavra feia. Ninguém merece ser resto nem ficar com resto. bjo!
Deve explodir na fresta certa... com três pontos para continuar a porra da poesia que se inicia...rs
Eu particularmente prefiro o Ricardo romântico ao trágico. Mas isso não tem nada a ver com você. Sou eu. Sempre vou prefirir: 'Sinto migalhas de você por toda parte'. Eu mantenho as esperanças mesmo com o fim anunciado. Quem realmente quer ser o resto? O troco? O quem?
Mas fiquei triste, de alguma forma, com este poema. Não sei bem o motivo. Talvez seja porque você tenha ido embora, voltado para casa. Ou talvez porque os cachorros (até eles) já podem te reconhecer.
E eu, você sabe, ainda estou na porta do supermercado!
eu prefiro o ricardo trágico, ele fica mais interessante e inteligente a cada instante a cada semente que planta com esse português que cresce cresce cresce...
vc merece um brilho só intenso de muita coragem na porta de qualquer supermercado, você precisa baby e eu preciso também, de alguma forma, de qualquer texto seu.
e eu sei que é assim.
um amor que nasce no texto, não morre em contexto.
Engraçado, eu nunca gostei de resto...digo sempre isso pra minha amiga Adriana!
intiresno muito, obrigado
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