domingo, junho 07, 2009

viagem ao domingo

Eu sinto um pouco de tontura hoje.
Minha mão arranha esse pedaço de barco velho
Esse escaler que só tem ferrugem.
Sinto os calos da oxidação do ferro
Que são como montanhas
Que vão redesenhando minha mão.
Noto cada sinal que me transmite.
Esse barco sem vela
Não navega em paz
Tão pouco importa ventar
se a vela não se acende mais.
Não acena
Não sai de cena
Não toca em mim
O barco, o astronauta,
Esse céu azul
A vertigem compromete, mas não me mete
E o barco vai, vai
Mistura em minha órbita o céu e mar
A tontura recai
Entra no meu peito
Surra meu medo
E explode em minha boca
Como bolinhas de sabão
Que arrepiam meu sentido
Que em linha se contrai,
Corrompe,
E falha.

4 comentários:

Mariabia disse...

que em linha se contrai?

todo minuto, um por um.
gostei daqui.

Erica Vittorazzi disse...

ah, lembrei...
É lindo, é o meu predileto...
Beijo no seu queixo...

T. disse...

Gosto e admiro
acima de qualquer coisa
;

Anônimo disse...

o resto, ok