terça-feira, maio 05, 2009

o caso

Três horas da manhã. Ela corria vestida de azul, sorrindo, e dizendo adeus com um lenço. Com a outra mão em porcelana, acaba por deixar a luz cair após um estrondo. Levanta-se, mexe-se e sob a lucidez lívida vê ressaltar em seus braços uma mão clara.
Agacha-se lentamente e busca por toda parte. Está em estado de penumbra. O obstáculo de terno colorido, sapato preto e cheiro de cachaça, entope o que não pode, e ajuda a buscá-la o objeto luminoso. Sem saia, ela abruptamente reforça seu rosto e corrige a boca, sussurra e não separa, não sente-se só e não espalha. Se o medo é de mar, resiste e confessa. Ele dá meia volta, puxa seus braços e abraços. Levanta seu rosto, traz perto a luz, suspeita o ócio e delira em olhos. No chão a luz suplica, sobe aos corpos e vai de encontro. Explode em necessidade qualquer. Nunca recusaram essas emoções. Transportam o dedo e enxergam o rosto. Agora sussurrando em ouvidos, os dois reconstroem a cor. O terno já batido se retrai e fica ainda menor. O rosto pálido a veste sem contornos. Os dois lado a lado resistem a própria beleza. Duas horas depois, a vela continuava acesa, levantara-se o vento, o céu clareava e o acaso não mais existia.

Um comentário:

Julio Cesar disse...

Mardo bem em Gordel!!!
Pesedo, realista, original!!!
Gostei p caralho!
bjs cara

Julio Cesar