Não preciso ser o último a sair.
Mas sempre fui.
Sempre me curei no final da noite,
No começo da vida.
Meus pensamentos sempre foram distorcidos,
Embora sagaz nas palavras que encaixo,
Como um eterno quebra-cabeça sem importância,
Mas repleto de sentidos e formas.
O corvo de Edgar Allan Poe
Já me perguntou:
Por que seu coração bate tão devagar?
De qual liberdade você busca,
Se nunca fez parte dos que partiram
Das prisões, dos porões.
Hoje, acordei pensando em poesia,
Que já não escrevia há algum tempo.
Obviamente pensei em morte,
Mas também em árvore, folha, salto, luz,
Filho, tempo,
Deus.
A canção na pele.
O que escrevo revela que,
Embora eu não goste, eu escrevo.
E como muitos, sou preguiçoso.
É um hábito, uma não-ocupação,
Ficar buscando eternamente o nada.
E o corvo, na noite infinda, está ainda.
Está ainda.
Estamos, pergunto, como?
Li na cama Robinson Crusoé em francês.
O nada é a ruptura das memórias mais decorativas,
E o amor doente pela razão.
Se temos cristais e corpos nus,
No chão ou no caixão,
Mas nus,
Naturalmente nus.
Não seremos os últimos a sair.

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