domingo, outubro 20, 2024

ninguém ensina

Hoje sonhei que minha casa pegava fogo.
Sonhei que o mundo explodia,

Que meu corpo era encontrado em uma vala,
Com um tiro na têmpora,

Distraído, mas confesso.
Faço poema
Antes dele se acabar.

Silêncio, por favor.
Meu jeito é a busca pelo infinito,

Sinto órgãos de igrejas em meu peito,
Em um ritmo de fósforos Pinheiro.

Aquele jeito de balança, mas sempre cai.
Mas meu jeito sempre foi a busca pelo infinito.

Hoje sonhei que minha casa pegava fogo.
Sonhei que o mundo explodia,

Que meu corpo era encontrado em uma vala.

As trombetas tocavam.
Não sei se de celebração ou de costume.

Acenda uma vela.

A história ensina,
E um corpo improvável como este ninguém ensina.

Ninguém ensina.

Um rapaz que sonhara com um mundo explodido,
Que foi encontrado com um tiro na têmpora, na vala.

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