sábado, janeiro 15, 2011

a saudade

Mantenho-me em meu único momento de existência. Parado, confuso e com os olhos grudados em um futuro que não existe. Em minha volta, encontro entalado em minha mente uma coleção de pesadelos malfadados e mal falados. Contorno meu rosto, e procuro algum espaço além das falhas de uma barba repartida por falta de hormônios. Homônimo a mim, cantarolo aquela música que nunca existiu.
Sou um homem sem passado e, portanto sem futuro e sem escolhas. Sou um buraco negro dentro de mim em um momento que não tem sentido. Neste mundo estranho, com estranhos, não me sinto parte daqui.
Eu sei que só posso lutar para isso acabar. Mas o fim escapa das minhas mãos na mesma velocidade do meu sentimento. A memória emocional, a mais rudimentar sensação de existência, é a mais profunda e difícil de deter.
Atiço minha fantasia e coloco novamente minhas mãos em minha face. Eu não sei, eu não sei de qual realidade você, e eu, estamos pensando. Tenho uma saudade eterna.

6 comentários:

Ana Paula disse...

Muito bom!
Como sempre, sabe usar as palavras de forma simples e tocante!

Dani disse...

Tenho uma saudade eterna...

T. disse...

Gosto do seu estilo, você sabe, mas sinto que algo no que você escreve me escapa em tom quase confidencial, não que você seja hermético, você é claro, mas teu lirismo me confunde, talvez seja essa a intenção, e está aí todo o segredo, toda a beleza.

Agora pára de se achar tá. rs.

juliee disse...

nossa que profundo.. como ja disseram, simples e tocante.

nico disse...

"Saudade"
palavra tão bonita..
tão tipicamente portuguesa
que não existe em mais lingua nenhuma
gostei do texto, parabens
obrigado pela partilha.

Ana Mota disse...

A saudade consome-nos... Corrói-nos por dentro até mais nada restar, a não ser um corpo vazio, frio e sem vida.

Um beijinho.