sexta-feira, abril 10, 2020

abril ou isso não é um texto

Estava andando na vida
E a perna cansava.
Doía também.
Os rostos que passavam por mim
Eram rostos,
Apenas rostos.
Ninguém percebia.
E meu olho doía.
As coisas doíam.
Coisas no sentido de coisa mesmo.
Era uma estrada de terra cuspida no mundo
Bahia a Minas, estrada invadida.
A folhagem sabotava os inimigos.
Estamos vivos!
Vejam só.
Caminhando contra essa gente toda,
Quem somos nós?
Se não uma sucessão de qualquer bobagem.
Somos bichos.
Mas nem os bichos,
Olham para nosso umbigo.
Porém desbravando essa estrada,
Com um canto ofegante ao fundo,
Sentimos o escárnio.
Quem seremos nós nesse lamaçal danado?
Estou a andar.
Estou a sorrir.
Cai um galho dentro da cabeça,
Pego o resto de terra no chão
E os pedaços escorrem entre os dedos.
Uma vespa tenta invadir minha garganta.
Estamos aqui, estamos aqui.
Mas ninguém nos vê.
Estamos perdidos.
Pegou fogo na floresta,
Cadê?
Cadê você?
Estamos vivos?
Ninguém vai olhar,
Ninguém mais vai orar.
Estamos mortos, estamos mortos!




Nenhum comentário: