sábado, novembro 23, 2013

promessas de fé

Olhou para o copo e viu vibrações no ventre da água vindas de sua mão trêmula, cansada e insistente. No suposto vazio entre boca e o líquido sentiu um gosto de vapor quente. Os olhos fixos naquele vidro forjavam o dedo indicador do homem. No fundo do copo, gotas se cansavam e forçavam um caminho até o precipício. Gotejavam e escorriam até o joelho seco, de uma secura densa. Molhava o sumo que movimentavam aquela vida. Ela não queria se calar. Ele não queria matar. A loucura não se resolveria assim. Pegou a faca e amolou na chaira que também usava para matar porcos. Alguém insistiu e pegou em seu coração. Veio então a mancha escura dos dias que ele serviu ao campo. Hereditária dor. Em volta dessa terra existe luta. Sonho de seus metais. Pedra. Cor. Emboscada branca. Vamos festejar a miséria do picadeiro criado pelo inimigo. Guerra. Fogo. Explodiu nele a loucura de fazer o justo. Sua gente vai te amar. Viu no chão a esperança. Pedra na mão. Inimigo grudado na parede. Subiu e desceu montanha e no seu lombo carregava o mistério que não irá se mostrar. Meninada cantava de longe e o vento lhe trazia velhas recordações. Estrela nova. Sonhos circulando. Mente calma. Silêncio. O pai nosso. Sangue escorre em seu ombro.  Pés atrevidos soterram naquela areia fofa. É a loucura de ser. É o ser. Agora vem o frio, chegou a noite e a lua se aproxima para o aconchego.



Um comentário:

Alberto Quadros disse...

o que escreveste revela que, embora não gostes, és poeta. E como todos ou quase todos os poetas, és preguiçoso. É um bom hábito, uma boa ocupação, todos os dias escrever uma mensagem, sentir esse agrado quando se termina uma. Eu procuro escrever todos os dias no meu blog ( sonhoscomsorte)