terça-feira, novembro 05, 2013

aldeia morta

Poeira na noite. A festa. O açoite. Lua cheia, amor. Agora é tarde.
O fruto do tempo entrou sem escolhas neste mundo, entre gritos e loucuras. Desejo contemplar a morte da escrita.
O silêncio. A consequência. Hoje, estou sem sorte.
A goteira no teto de vidro acerta o sopro que é a vida. Vou sussurrando até a Rua da Ajuda. Foi lá que me fizeram homem e inconsequente. Derradeiro murmúrio de lamentos. Aqui acaba, em novembro. Onde nasce o pássaro e morre o homem. O grande pai recebe seu filho com a mesma fúria que criará o mundo. Rejeita. Não deixa em paz. Não devia lhe procurar. Nem toda criança pode aprender. Nenhum povo precisa ser apenas só. Aldeia morta. Pedra vira fogo. Deus explode em raios. Para onde escapar nesta maré? Enxurrada sobre o sonho. Inventamos o mar.


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