Não
sentia a temperatura do corpo de cada pessoa que passava por mim. Em cada
parede. Nada. Sem temperatura. Sem pessoas. Pelo corredor enorme que me levava
do centro até a zona dos poderes eu me lambuzava de olhares. Estalados. Abestalhados. Qualquer fuga tem gosto diverso. Sentidos pulverizados. Mas aqui não sinto calor.
Nem Frio. Não deveria ter desvendado todos os sintomas do meu corpo. Meus
medos. Diagnóstico pare homem? Sou o único culpado de ter essa falta. Sinto
falta. Sem calor. Nada acontece. Não derreto. Corro, corro. Não suo. Me sinto
serpente. Fria, fria, fria. Mas porque não calor? Sou eu. Olho no espelho
passando pelas vidraças deste caminho. Olhos esbugalhados me desejam. Me
desejam dentro de uma panela bem quente com tomates. Quente? Quem sente? Me
diga onde eu vou. E corro, corro, corro. Suo? Não. Os sentidos escapam do meu
peito e me falta sentir. Sorrisos! Risadas! Gargalhadas! Dou um soco para o
alto e subo em cima do calabouço. Ha ha ha Quem pode me deter? Sou gato
invisível nesse mundo canino. Quem me pega? Vem me pegar, filho da puta? Pode
pegar que não sinto. Não sinto? Olhos baixos por todo horizonte em cima destes
telhados. Aqui estou longe e sem perigo. Mas sou caça? Caça do oposto ou de
mim? Gosto de misturar mim com qualquer outra coisa. De manhã queria ouvir um
tango sem esperança. Isso! Não gosto desta coisa de esperança e ajuda! Sem
sentido? Sem calor? Sigo assim. Sem temperatura.
há 20 anos
Há 6 dias

2 comentários:
morreu
:'(
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