terça-feira, abril 23, 2013

sem novidade pelos lados de cá


Não sentia a temperatura do corpo de cada pessoa que passava por mim. Em cada parede. Nada. Sem temperatura. Sem pessoas. Pelo corredor enorme que me levava do centro até a zona dos poderes eu me lambuzava de olhares. Estalados. Abestalhados. Qualquer fuga tem gosto diverso. Sentidos  pulverizados. Mas aqui não sinto calor. Nem Frio. Não deveria ter desvendado todos os sintomas do meu corpo. Meus medos. Diagnóstico pare homem? Sou o único culpado de ter essa falta. Sinto falta. Sem calor. Nada acontece. Não derreto. Corro, corro. Não suo. Me sinto serpente. Fria, fria, fria. Mas porque não calor? Sou eu. Olho no espelho passando pelas vidraças deste caminho. Olhos esbugalhados me desejam. Me desejam dentro de uma panela bem quente com tomates. Quente? Quem sente? Me diga onde eu vou. E corro, corro, corro. Suo? Não. Os sentidos escapam do meu peito e me falta sentir. Sorrisos! Risadas! Gargalhadas! Dou um soco para o alto e subo em cima do calabouço. Ha ha ha Quem pode me deter? Sou gato invisível nesse mundo canino. Quem me pega? Vem me pegar, filho da puta? Pode pegar que não sinto. Não sinto? Olhos baixos por todo horizonte em cima destes telhados. Aqui estou longe e sem perigo. Mas sou caça? Caça do oposto ou de mim? Gosto de misturar mim com qualquer outra coisa. De manhã queria ouvir um tango sem esperança. Isso! Não gosto desta coisa de esperança e ajuda! Sem sentido? Sem calor? Sigo assim. Sem temperatura.





2 comentários:

Iris de Oliveira disse...

morreu

Anônimo disse...

:'(