O tempo esperneia.
Não precisa ter receio.
No espaço cativo
Sinta a pasmaria no ar,
Peneire o vazio.
Não há maior ilusão do que existir
Como em um vaso partido no alento.
A lua cheia esconde suas estrelas
Passados impregnados no céu
Que refletem em nossos olhos a luz que existiu um dia.
Estamos aqui esperando,
Milhões de anos,
Impenetráveis.
A madrugada tem seu tempo,
Algum cachorro late ao fundo,
Um grito espalha sons como um trem,
Vultos e clarões,
Chove sangue na sarjeta.
Não há mais o que esperar.

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