sexta-feira, novembro 23, 2018

um tacho de conhaque a luz acesa

Apenas um colapso
fará transbordar o berço do amanhã.
A gota no banheiro encanta as serpentes
que habitam este quarto-navio.

São vinte romances, cinco riachos, um pavio.
Mesmo que não haja voz,
deitamos e gritamos:
o homem certamente não sangra.

É como nuvem sem rumo
que busca a poesia destes tempos perdidos.
E nesta noite posta sobre a mesa,
um tacho de conhaque a luz acesa.

Vamos repousar a dor.
Furar o que somos,
extrair do solo
e esperar sem ter onde ficar nesta evocação.

Bebemos a manhã que, sequer, chegou!
Na parede ao lado,
um ramo de jasmins todo orvalhado,
descendo mais profundo que o abismo.

Respeitemos o tempo,
respeitemos o colapso,
respeitemos a demora,
vivemos o pavor.

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