As árvores deitavam. A cada instante eu encontrava troncos contorcidos pelo chão. Vento vadio. Ventou. Eram trechos de madeira cansados de viver. Não tinham outra saída a não ser pelo chão. Só essa melodia é que pode trazer consigo, orgulhosamente, a sua própria morte. Todo encontro imprevisto cala com a pujança do sentimento. Estúpida, imóvel e deserta, a consciência se esconde entre as paredes. Vaia de bêbado não vale e elogio também. Cada um no seu tempo.
Vejo-a, com surpresa, levar a seiva até a boca. Fico um momento apenas a olhar. Muitos tons de brancos e, de longe, alguns círculos traçados em vermelho. Sinto-me um pouco pálido. Meus olhos aquecem e minha testa pega fogo. É o fogo, o vermelho, é a sorte. Pinto-me inteiro com suor de fruta madura. Embaraço. Laço. Enrosco. Somos refeitos de seiva bruta.
há 20 anos
Há 6 dias

2 comentários:
Parece Brasília...
Será mais difícil do que se parece...
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