sábado, janeiro 10, 2009

o movimento

O vento,
liso e que constrói esse corpo.
Esse lábio
que me faz desmontar.
Entra dentro de mim todo seu poder
de ser beleza, de ser vento.
Bem baixo, sinto tormentas de ciúmes,
Ventos irmãos presunçosos.
Euro e Zéfiro
Rebatem, sacodem e caem.

Sinto o cheiro indo embora.
O gosto do esforço
e a areia em meu corpo.
Sinto-me como no encontro de Eolo e Iansã.
Pele quase vermelha,
deusa dos ventos e tempestades,
sinto o tocar de seu corpo,
um breve sussurro,
E deitado assisto todas as cores mudarem

Qualquer um seria bobo
de não se apegar.
Qualquer jeito, uma forma
e pele morena.
Sinto uma força,
um corpo.
É cheio e tem jeito.
Passa a vida, passa o ar,
e dentro de uma vida
vejo o tempo formar.

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