sexta-feira, junho 20, 2014

mangue

A vida vai muito além das possibilidades da canção.
O som, o som.
Ele não terá fim.
Os ciclos não prevêem a oportunidade,
pois se ocupam das coisas que são.
Ao escurecer, a terra toma forma de cor,
O gosto é de mangue.
A vaidade faz questão de aparecer.
Resiste a tudo que é feio, problemático.
O orgulho é o que persiste e dá o tom da solidão.
Abandono é mato em terras de lamaçal.
O desprezo pela fúria é consenso,
Mas, nessa imensidão, não há dor maior do que existir.
O ser, uma vertigem de tempo, vai à procura de sua ancestralidade.
A vida, banhada de sangue e barro, é a busca eterna pelos portais: reencarne e desencarne.
Processo irreversível do tempo.
Não há castigo maior do que sobreviver em terras não-firmes.
A mãe, nossa terra, nos abraça com o seu ventre e nos aconselha para ir longe.
A nossa herança nômade é o que sufoca e dá esperança.
É guia transformador, é guia roxa, lilás, sem ouro e sem prata.
O universo existe, as relações existem, a memória persiste.
O esquecimento é como um animal que se arrasta no chão - demorado e relutante.
Contudo, a raiz nos segura em solo úmido.
Queremos ser tudo, queremos guerra.
Limpamos nosso cais, tiramos o limo
Para não restar qualquer dúvida sobre o nosso recomeço.

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